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Artigos · Busca ativa

Vigilância pós-alta de infecção de sítio cirúrgico: por que é obrigatória e como organizar?

Por Enf.ª Julliana Porto · 11 de jun. de 2026

Vigilância pós-alta é a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico (ISC) em pacientes que já saíram do hospital, nos 30 ou 90 dias de vigilância da NT 03/2026 da Anvisa. Ela é obrigatória para as cirurgias de notificação nacional, e o formulário da Anvisa pergunta se foi feita no mês.

Resposta rápida

  • A NT 03/2026 da Anvisa define vigilância pós-alta como busca ativa de ISC em quem já recebeu alta. Ela dura os 30 ou 90 dias de vigilância.
  • São 90 dias para implante mamário, próteses primárias de quadril e de joelho, revascularização do miocárdio, derivação neurológica e catarata. Cesariana: 30 dias.
  • A NT 01/2026 lista a vigilância pós-alta entre os tipos de vigilância. O plano deve definir seus critérios e a coleta de dados.
  • A NT 02/2026 orienta: se o serviço não fez vigilância pós-alta no mês, não marca SIM no formulário de centro cirúrgico.
  • O protocolo de prevenção de ISC da Anvisa (2025) recomenda vigiar todas as cirurgias de notificação compulsória.

O que é vigilância pós-alta

Vigilância pós-alta é a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico em pacientes que já saíram do serviço de saúde. A definição está na NT 03/2026 e no protocolo de prevenção de ISC da Anvisa. A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 1, já falava em pacientes "hospitalizados ou não" na definição de vigilância epidemiológica. Para a ISC, o dia 1 do período de vigilância é a data da cirurgia (NT 03/2026). Os termos estão no glossário.

O que a norma exige

A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 01/2026, de 2 de janeiro de 2026, lista quatro tipos de vigilância: por objetivos, por setores, microbiológica e pós-alta. A pós-alta busca informações com o paciente, com o médico, por notificação voluntária, contato telefônico ou correspondência. O plano de vigilância deve definir os critérios da vigilância pós-alta e como será a coleta de dados. A ISC de cesariana deve englobar vigilância por objetivo e pós-alta, por método prospectivo.

A NT 03/2026 define o período de vigilância da ISC: 30 ou 90 dias após o procedimento, sendo o dia 1 a data da cirurgia. São vigiadas por 90 dias: prótese mamária, prótese de quadril primária e prótese de joelho primária. Também revascularização do miocárdio, derivação interna neurológica e catarata. A cesariana é vigiada por 30 dias. Se o paciente volta ao centro cirúrgico para nova abordagem no mesmo sítio, a contagem recomeça do zero.

A NT 02/2026 trata da notificação. O mês de referência da ISC é o mês da cirurgia, mesmo que a infecção apareça até 90 dias depois. Por isso o formulário é salvo com a opção "RETOMAR MAIS TARDE" e atualizado a cada caso novo. No formulário de centro cirúrgico, só se marca SIM se a vigilância pós-alta foi feita no mês. Procedimento padronizado, mas não executado, não conta. A notificação é mensal, até o 15º dia do mês seguinte (NT 01/2026). O roteiro de envio está em Notivisa: como notificar e prazos.

O Protocolo de Prevenção de ISC da Anvisa é de 2025. Ele atribui ao serviço de controle de infecção (SCIRAS) a vigilância na internação e após a alta. Manda estruturar a vigilância pós-alta no mínimo para os procedimentos de notificação nacional. O método deve caber na capacidade do serviço: contato telefônico, retorno ambulatorial ou outros mecanismos. Pede um POP de busca fonada com fluxo e etapas claros.

Prazos e métodos: o que vale para cada cirurgia

Cirurgia Período de vigilância Notificação nacional
Implante de prótese mamária 90 dias Obrigatória
Prótese de quadril primária 90 dias Obrigatória
Prótese de joelho primária 90 dias Obrigatória
Revascularização do miocárdio 90 dias Obrigatória
Derivação interna neurológica 90 dias Obrigatória
Catarata 90 dias Obrigatória
Cesariana 30 dias Obrigatória
Demais cirurgias 30 dias sem implante; 90 dias com implante Conforme o protocolo do serviço

Os métodos citados nas notas e no protocolo da Anvisa são: contato direto com o paciente, contato com o médico, notificação voluntária, contato telefônico, correspondência e retorno ambulatorial. O protocolo também pede orientar paciente e família sobre vermelhidão, dor, secreção e febre. O exemplo da mamoplastia, com contatos em D+7, D+15, D+30, D+60 e D+90, está em infecção de prótese mamária: busca ativa por 90 dias.

Como calcular: o indicador de cobertura da vigilância pós-alta

O protocolo da Anvisa traz a ficha do indicador no Apêndice C. O numerador é o número de cirurgias com vigilância pós-alta documentada no período. O denominador é o total de cirurgias com indicação de vigilância pós-alta. O resultado é multiplicado por 100 e analisado todo mês. A fonte é a relação de cirurgias, o prontuário e as fichas de vigilância pós-alta. Para os procedimentos de monitoramento compulsório, o protocolo recomenda cobertura de todas as cirurgias. Para os demais, o serviço define metas progressivas.

Para a inspeção, o registro de cada paciente precisa mostrar:

  1. Cirurgia, data, cirurgião e presença de implante.
  2. Data de cada contato, canal usado e quem fez.
  3. Tentativas sem resposta, com data.
  4. Resposta a cada pergunta do roteiro.
  5. Classificação pelos critérios da NT 03/2026, quando houver suspeita.
  6. Encerramento no dia 30 ou no dia 90, com o desfecho.

Erros mais comuns

Marcar SIM no formulário sem ter feito a busca

A NT 02/2026 é explícita: só marca SIM se a vigilância pós-alta foi realizada no mês.

Contar a ISC no mês do diagnóstico

O mês de referência é o mês da cirurgia, mesmo que a infecção apareça 60 dias depois.

Encerrar a vigilância na alta

A janela é de 30 ou 90 dias. O caso que aparece na terceira semana fica fora da taxa.

Contato sem registro

Ligação feita e não anotada não entra no numerador do indicador de cobertura.

Busca no celular pessoal do profissional

Quando ele sai, o histórico sai junto, e o fiscal não encontra a evidência.

Como a SEVS resolve

Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade. Eles escrevem o POP de busca fonada pela realidade do serviço. No SentinelSaúde, cada cirurgia de notificação nacional entra na fila de busca ativa. Os contatos são programados até o dia 30 ou 90, e cada resposta fica no histórico do paciente. O indicador de cobertura e a taxa de ISC saem prontos para o formulário da Anvisa. Antes da inspeção, a SEVS faz uma inspeção simulada sem custo. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta.

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Perguntas frequentes

O que é vigilância pós-alta?

É a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico em pacientes que já receberam alta. Dura os 30 ou 90 dias de vigilância da NT 03/2026 da Anvisa.

Vigilância pós-alta é obrigatória?

Para as cirurgias de notificação nacional, sim. O protocolo de prevenção de ISC da Anvisa manda estruturar a vigilância pós-alta no mínimo para esses procedimentos. O formulário da Anvisa pergunta se ela foi feita no mês.

Quantos dias dura a vigilância após a cirurgia?

30 dias para cesariana e cirurgias sem implante. 90 dias para implante mamário, prótese de quadril e de joelho primárias, revascularização do miocárdio, derivação neurológica e catarata. O dia 1 é o dia da cirurgia.

Quais métodos de vigilância pós-alta a Anvisa aceita?

Contato direto com o paciente, contato com o médico, notificação voluntária, contato telefônico e correspondência (NT 01/2026). O protocolo de prevenção de ISC acrescenta o retorno ambulatorial.

Como registrar a vigilância pós-alta?

Em ficha ou sistema, com cirurgia, datas de contato, canal, responsável, respostas, classificação e desfecho. O protocolo da Anvisa usa essas fichas como fonte do indicador de cobertura.

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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