Busca ativa de infecção hospitalar: o que é e por que a vigilância passiva não basta?
O que é busca ativa de infecção hospitalar, a diferença para a vigilância passiva, os tipos e métodos da NT 01/2026 e o que registrar em cada um.
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Vigilância pós-alta é a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico (ISC) em pacientes que já saíram do hospital, nos 30 ou 90 dias de vigilância da NT 03/2026 da Anvisa. Ela é obrigatória para as cirurgias de notificação nacional, e o formulário da Anvisa pergunta se foi feita no mês.
Vigilância pós-alta é a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico em pacientes que já saíram do serviço de saúde. A definição está na NT 03/2026 e no protocolo de prevenção de ISC da Anvisa. A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 1, já falava em pacientes "hospitalizados ou não" na definição de vigilância epidemiológica. Para a ISC, o dia 1 do período de vigilância é a data da cirurgia (NT 03/2026). Os termos estão no glossário.
A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 01/2026, de 2 de janeiro de 2026, lista quatro tipos de vigilância: por objetivos, por setores, microbiológica e pós-alta. A pós-alta busca informações com o paciente, com o médico, por notificação voluntária, contato telefônico ou correspondência. O plano de vigilância deve definir os critérios da vigilância pós-alta e como será a coleta de dados. A ISC de cesariana deve englobar vigilância por objetivo e pós-alta, por método prospectivo.
A NT 03/2026 define o período de vigilância da ISC: 30 ou 90 dias após o procedimento, sendo o dia 1 a data da cirurgia. São vigiadas por 90 dias: prótese mamária, prótese de quadril primária e prótese de joelho primária. Também revascularização do miocárdio, derivação interna neurológica e catarata. A cesariana é vigiada por 30 dias. Se o paciente volta ao centro cirúrgico para nova abordagem no mesmo sítio, a contagem recomeça do zero.
A NT 02/2026 trata da notificação. O mês de referência da ISC é o mês da cirurgia, mesmo que a infecção apareça até 90 dias depois. Por isso o formulário é salvo com a opção "RETOMAR MAIS TARDE" e atualizado a cada caso novo. No formulário de centro cirúrgico, só se marca SIM se a vigilância pós-alta foi feita no mês. Procedimento padronizado, mas não executado, não conta. A notificação é mensal, até o 15º dia do mês seguinte (NT 01/2026). O roteiro de envio está em Notivisa: como notificar e prazos.
O Protocolo de Prevenção de ISC da Anvisa é de 2025. Ele atribui ao serviço de controle de infecção (SCIRAS) a vigilância na internação e após a alta. Manda estruturar a vigilância pós-alta no mínimo para os procedimentos de notificação nacional. O método deve caber na capacidade do serviço: contato telefônico, retorno ambulatorial ou outros mecanismos. Pede um POP de busca fonada com fluxo e etapas claros.
| Cirurgia | Período de vigilância | Notificação nacional |
|---|---|---|
| Implante de prótese mamária | 90 dias | Obrigatória |
| Prótese de quadril primária | 90 dias | Obrigatória |
| Prótese de joelho primária | 90 dias | Obrigatória |
| Revascularização do miocárdio | 90 dias | Obrigatória |
| Derivação interna neurológica | 90 dias | Obrigatória |
| Catarata | 90 dias | Obrigatória |
| Cesariana | 30 dias | Obrigatória |
| Demais cirurgias | 30 dias sem implante; 90 dias com implante | Conforme o protocolo do serviço |
Os métodos citados nas notas e no protocolo da Anvisa são: contato direto com o paciente, contato com o médico, notificação voluntária, contato telefônico, correspondência e retorno ambulatorial. O protocolo também pede orientar paciente e família sobre vermelhidão, dor, secreção e febre. O exemplo da mamoplastia, com contatos em D+7, D+15, D+30, D+60 e D+90, está em infecção de prótese mamária: busca ativa por 90 dias.
O protocolo da Anvisa traz a ficha do indicador no Apêndice C. O numerador é o número de cirurgias com vigilância pós-alta documentada no período. O denominador é o total de cirurgias com indicação de vigilância pós-alta. O resultado é multiplicado por 100 e analisado todo mês. A fonte é a relação de cirurgias, o prontuário e as fichas de vigilância pós-alta. Para os procedimentos de monitoramento compulsório, o protocolo recomenda cobertura de todas as cirurgias. Para os demais, o serviço define metas progressivas.
Para a inspeção, o registro de cada paciente precisa mostrar:
A NT 02/2026 é explícita: só marca SIM se a vigilância pós-alta foi realizada no mês.
O mês de referência é o mês da cirurgia, mesmo que a infecção apareça 60 dias depois.
A janela é de 30 ou 90 dias. O caso que aparece na terceira semana fica fora da taxa.
Ligação feita e não anotada não entra no numerador do indicador de cobertura.
Quando ele sai, o histórico sai junto, e o fiscal não encontra a evidência.
Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade. Eles escrevem o POP de busca fonada pela realidade do serviço. No SentinelSaúde, cada cirurgia de notificação nacional entra na fila de busca ativa. Os contatos são programados até o dia 30 ou 90, e cada resposta fica no histórico do paciente. O indicador de cobertura e a taxa de ISC saem prontos para o formulário da Anvisa. Antes da inspeção, a SEVS faz uma inspeção simulada sem custo. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta.
É a busca ativa de infecção de sítio cirúrgico em pacientes que já receberam alta. Dura os 30 ou 90 dias de vigilância da NT 03/2026 da Anvisa.
Para as cirurgias de notificação nacional, sim. O protocolo de prevenção de ISC da Anvisa manda estruturar a vigilância pós-alta no mínimo para esses procedimentos. O formulário da Anvisa pergunta se ela foi feita no mês.
30 dias para cesariana e cirurgias sem implante. 90 dias para implante mamário, prótese de quadril e de joelho primárias, revascularização do miocárdio, derivação neurológica e catarata. O dia 1 é o dia da cirurgia.
Contato direto com o paciente, contato com o médico, notificação voluntária, contato telefônico e correspondência (NT 01/2026). O protocolo de prevenção de ISC acrescenta o retorno ambulatorial.
Em ficha ou sistema, com cirurgia, datas de contato, canal, responsável, respostas, classificação e desfecho. O protocolo da Anvisa usa essas fichas como fonte do indicador de cobertura.
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
Conheça a SEVSO que é busca ativa de infecção hospitalar, a diferença para a vigilância passiva, os tipos e métodos da NT 01/2026 e o que registrar em cada um.
Ler o artigoCritérios da NT 03/2026, a janela de 90 dias e um roteiro de busca ativa pós-alta com cinco contatos e registro auditável.
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