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Artigos · Busca ativa

Busca ativa de infecção hospitalar: o que é e por que a vigilância passiva não basta?

Por Enf.ª Julliana Porto · 7 de mai. de 2026

Busca ativa de infecção hospitalar é a procura intencional de casos de infecção pela CCIH, em prontuários, laboratório e setores. A Portaria 2.616/1998, Anexo III, recomenda os métodos ativos, e a NT 01/2026 da Anvisa detalha como fazer. A notificação passiva, que depende de alguém avisar, não basta.

Resposta rápida

  • Busca ativa é a procura intencional de casos pela equipe de controle de infecção (NT 01/2026, item 3.6). Ela acontece em prontuários, registros e nas unidades.
  • Na coleta passiva, os dados chegam só quando o profissional que atendeu o paciente resolve avisar.
  • A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 3, recomenda os métodos de busca ativa para a vigilância das infecções hospitalares.
  • A NT 01/2026 descreve quatro tipos de vigilância: por objetivo, por setor, microbiológica e pós-alta. Os métodos são prospectivo, retrospectivo e transversal.
  • A vigilância e a notificação mensal das IRAS são obrigatórias, com os critérios diagnósticos da Anvisa.

O que é busca ativa de infecção hospitalar

A NT 01/2026 da Anvisa define a coleta ativa como a busca intencional de casos do evento sob vigilância. Ela acontece por meio de idas às unidades do serviço, verificação de anotações, prontuários e outros registros. Já a coleta passiva ocorre quando os dados são enviados, de forma espontânea, pelos profissionais que atenderam o paciente. A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 1, define a vigilância epidemiológica das infecções como observação ativa, sistemática e contínua. A busca ativa é o que torna essa observação ativa de fato. Outros termos estão no glossário.

O que a norma exige

A Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1.1, obriga a CCIH a implantar um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares. O Anexo III, item 2, manda a CCIH escolher o método mais adequado. Pesam as características do hospital, a estrutura de pessoal e o risco da assistência. O item 3 recomenda os métodos de busca ativos de coleta de dados. O item 5.12 torna obrigatórios quatro indicadores: taxa de infecção, pacientes infectados, distribuição por topografia e letalidade. Valem no mínimo para berçário de alto risco, UTI e queimados. O item 6.1 exige relatório periódico, divulgado à direção e aos serviços.

A NT 01/2026 da Anvisa, de janeiro de 2026, atualiza as orientações para a vigilância das IRAS. Ela afirma que a vigilância e a notificação mensal das IRAS são obrigatórias para os serviços de saúde brasileiros. Também diz que a coleta de dados deve ser sistemática, com método e regras, de forma organizada e replicável. A nota retoma a Portaria 2.616/1998 e recomenda a busca mista. A parte ativa cabe à equipe de controle de infecção. A passiva, aos serviços parceiros, como ambulatórios de egressos. Para a definição de caso, o serviço deve usar obrigatoriamente os critérios diagnósticos nacionais da Anvisa.

A diretriz da OMS de 2016 sobre componentes centrais de prevenção e controle de infecção vai na mesma linha. O componente 4 recomenda vigilância de IRAS em cada serviço, para orientar as ações e detectar surtos. Os resultados devem voltar à equipe em tempo oportuno.

Critérios: tipos e métodos de busca ativa pela NT 01/2026

Tipo de vigilância O que busca O que registrar
Por objetivo Situações de risco específicas, independente da unidade, como infecção de corrente sanguínea por cateter central Pacientes com o dispositivo ou procedimento, dias de dispositivo e casos que fecham critério
Por setor (direcionada) Áreas prioritárias ou de maior risco, como a UTI Pacientes-dia do setor, dispositivos-dia e infecções do período
Microbiológica Resultados de culturas, para detectar microrganismos multirresistentes Culturas positivas, perfil de sensibilidade e vínculo com o paciente
Pós-alta Sinais de infecção após a alta, por contato com o paciente, com o médico, por telefone ou correspondência Data do procedimento, data do contato e desfecho dentro de 30 ou 90 dias

Os métodos, pela mesma nota, são três. Prospectivo: acompanha a infecção enquanto o paciente está internado ou em tratamento. Retrospectivo: revisa os prontuários após a alta. Transversal: estudo de prevalência dos pacientes de uma unidade em um período.

A NT 01/2026 sugere uma ficha de coleta por paciente da unidade, ou ao menos para os de maior risco. Ela indica as estratégias da busca ativa: idas às unidades, avaliação à beira do leito e busca nos prontuários. Também parcerias com o laboratório de microbiologia e a farmácia. O laboratório informa as culturas; a farmácia, as prescrições de antimicrobianos. Para infecção de sítio cirúrgico, a vigilância cobre 30 ou 90 dias, conforme a cirurgia. Veja o caso da prótese mamária.

O Caderno 4 da Anvisa (2017), sobre medidas de prevenção de IRAS, reforça o ponto. Para infecção de sítio cirúrgico, lista "realizar vigilância por busca ativa das ISC". Os resultados vão às equipes cirúrgicas e à direção. Para infecção de corrente sanguínea, pede programa ativo de identificação, com busca ativa, análise e divulgação regular.

Erros mais comuns

  • Esperar que a equipe assistencial avise. Sem busca ativa, a taxa de infecção parece baixa porque ninguém procurou.
  • Busca ativa sem ficha padronizada: cada profissional anota de um jeito e o indicador não fecha.
  • Ignorar o laboratório. Cultura positiva sem vínculo com a vigilância é caso perdido.
  • Vigilância de cirurgia encerrada na alta, sem os 30 ou 90 dias de acompanhamento.
  • Dados coletados e nunca divulgados à direção e aos setores, contrariando a Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 6.1.

O ponto comum é o improviso: planilha solta, WhatsApp pessoal, profissional sozinho. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.

Como a SEVS resolve

A SEVS atende hospitais e clínicas de todo o Brasil. Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade. A busca ativa segue método: ficha por paciente, conferência no setor, laboratório e pós-alta. Casos, denominadores e indicadores ficam no SentinelSaúde. O sistema gera a notificação mensal e o relatório para a direção. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável. Assim chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta.

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Perguntas frequentes

O que é busca ativa em controle de infecção?

É a procura intencional de casos de infecção pela equipe de controle de infecção (NT 01/2026, item 3.6). Ela é feita por idas às unidades e verificação de prontuários, anotações e outros registros.

Qual a diferença entre vigilância ativa e passiva?

Na ativa, a equipe de controle de infecção vai atrás dos casos. Na passiva, os dados chegam de forma espontânea, enviados pelos profissionais que atenderam o paciente. A NT 01/2026 recomenda a busca mista, com a parte ativa a cargo da equipe de controle de infecção.

Quem faz a busca ativa no hospital?

Os membros executores da CCIH, que formam o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 2.5). Em serviço extra-hospitalar, pela NT 01/2026, cabe aos profissionais que atuam nas ações de prevenção e controle de IRAS.

Quais são os métodos de busca ativa?

A NT 01/2026 separa tipos e métodos. Tipos: por objetivo, por setor, microbiológica e pós-alta. Métodos: prospectivo, retrospectivo e transversal. A escolha cabe à CCIH, conforme o Anexo III da Portaria 2.616/1998.

Busca ativa é obrigatória?

A vigilância das IRAS é obrigatória, e a Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 3, recomenda os métodos ativos de coleta. A NT 01/2026 afirma que a vigilância e a notificação mensal são obrigatórias, com coleta sistemática e critérios diagnósticos nacionais.

Imagem: Calleamanecer, wikimedia (CC BY-SA 3.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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