Ir para o conteúdo
Acessar

Artigos · CCIH

Programa de controle de infecção hospitalar: como elaborar o PCIH que a Anvisa vai avaliar?

Por Enf.ª Julliana Porto · 25 de mai. de 2026

O programa de controle de infecção hospitalar (PCIH) é obrigatório pela Lei 9.431/1997 e tem conteúdo mínimo na Portaria 2.616/1998. A Anvisa avalia os programas hospitalares em 2027 e 2029 com o IPCAF da OMS, organizado em 8 componentes essenciais.

Resposta rápida

  • A Lei 9.431/1997, art. 1º, obriga os hospitais do país a manter Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH).
  • A Portaria 2.616/1998 (Anexo I, 3.1) fixa o mínimo: vigilância epidemiológica, normas e rotinas, capacitação e uso racional de antimicrobianos.
  • O PNPCIRAS 2026-2030 prevê a Avaliação Nacional dos Programas de Prevenção e Controle de Infecção (ANPCI) em 2027 e 2029. O instrumento é o IPCAF da OMS, em 8 componentes.
  • Meta 4: até 2030, 80% dos hospitais com UTI e 50% dos hospitais sem UTI participando da ANPCI.
  • Quem elabora é a CCIH. Quem aprova e dá estrutura é a autoridade máxima do hospital (Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 4).

O que é programa de controle de infecção hospitalar

Programa de controle de infecção hospitalar é definido na Lei 9.431/1997, art. 1º, § 1º. É o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente para reduzir ao máximo a incidência e a gravidade dessas infecções. A Portaria 2.616/1998 repete a definição no Anexo I, item 1, e entrega a execução à CCIH. Na prática, o PCIH é o documento que descreve o que o hospital faz para prevenir IRAS. Quem faz, com que método, com que indicadores e com que resultado. É o programa, e não a comissão, que a Anvisa avalia.

O que a norma exige

A Lei 9.431/1997, art. 2º, manda o hospital constituir a CCIH para executar o programa. O art. 9º aplica as penalidades da Lei 6.437/1977 a quem descumprir.

A Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1, manda a CCIH elaborar, implementar, manter e avaliar o PCIH. O programa contempla, no mínimo, quatro ações. Sistema de vigilância epidemiológica das infecções (item 3.1.1). Normas e rotinas técnico-operacionais (3.1.2). Capacitação do quadro de profissionais (3.1.3). Uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais (3.1.4). Os itens 3.2 a 3.12 completam as competências: avaliar os dados da vigilância, investigar surtos e divulgar relatórios. Também definir a política de antimicrobianos com a Comissão de Farmácia e Terapêutica e elaborar o regimento interno. O Anexo III recomenda a busca ativa como método de coleta. Ele lista os indicadores: taxa de infecção hospitalar, taxa por procedimento, distribuição por topografia e sensibilidade aos antimicrobianos.

O PNPCIRAS 2026-2030 foi fundamentado nos componentes essenciais da OMS, publicados nas diretrizes de 2016. A Meta 4 prevê a ANPCI dos hospitais em 2027 e 2029. O instrumento é o IPCAF da OMS, traduzido e adaptado pela Anvisa, em 8 componentes essenciais. A escala é de 70% dos hospitais com UTI e 40% dos sem UTI em 2027. Em 2029, 80% e 50%. Na avaliação do próprio PNPCIRAS em 2024, o componente de educação e treinamento subiu de 15% para 33% de conformidade. Ele segue como o maior desafio do programa nacional.

Passo a passo: o PCIH nos 8 componentes essenciais da OMS

O material educativo da Anvisa sobre os componentes essenciais detalha cada um. O roteiro abaixo cruza esses componentes com o que a Portaria 2.616/1998 já exige.

Componente essencial O que escrever no PCIH Evidência para a avaliação
1. Programa de PCI Objetivos, equipe da CCIH com carga horária, orçamento e vínculo com a direção Ato de nomeação, regimento, organograma
2. Diretrizes de PCI Normas e rotinas por tema (item 3.1.2), baseadas em evidência POPs aprovados e datados
3. Educação e treinamento Plano anual de capacitação (item 3.1.3) por categoria profissional Listas de presença, conteúdo, avaliação
4. Vigilância de IRAS Método de busca ativa, definições de caso e indicadores do Anexo III Fichas de vigilância, relatórios mensais
5. Estratégias multimodais Bundles para as IRAS prioritárias e higiene das mãos Checklists preenchidos, adesão medida
6. Monitoramento, auditoria e feedback Auditorias de práticas e devolutiva aos setores Relatórios de auditoria, atas de devolutiva
7. Carga de trabalho, equipe e ocupação de leitos Critérios de ocupação e dimensionamento nas áreas críticas Registros de ocupação, escalas
8. Ambiente, materiais e equipamentos Infraestrutura sanitária, isolamento, EPI e insumos de higiene das mãos Inventário, rondas registradas

Roteiro de redação, versão e aprovação:

  1. Diagnóstico. Levantar os indicadores dos últimos 12 meses, a lista de POPs vigentes e o registro de treinamentos.
  2. Redação por componente. Um capítulo para cada um dos 8 componentes, com objetivo, ação, responsável, prazo e indicador.
  3. Controle de versão. Capa com número da versão, data, autores e histórico de alterações.
  4. Aprovação. Assinatura da autoridade máxima, que constitui a CCIH e aprova o regimento (Anexo I, itens 4.1 a 4.4).
  5. Divulgação. Comunicar à direção e às chefias de todos os setores, com debate na comunidade hospitalar (item 3.4).
  6. Pasta de evidências. Uma pasta por componente, com os documentos da terceira coluna da tabela.
  7. Avaliação. Aplicar o IPCAF internamente antes dos ciclos de 2027 e 2029 e corrigir as lacunas.

Erros mais comuns

  • PCIH que é só o regimento da CCIH. Regimento organiza a comissão; programa descreve as ações e os resultados.
  • Vigilância sem busca ativa, baseada apenas em notificação espontânea. O Anexo III recomenda métodos ativos.
  • Capacitação sem registro de conteúdo, carga horária e presença. Foi o componente mais frágil na avaliação do programa nacional em 2024.
  • Indicadores calculados, mas nunca devolvidos aos setores. Sem feedback, o componente 6 não existe.
  • Programa escrito há anos, sem versão, sem data e sem evidência de revisão.

O denominador comum é o improviso: planilha solta, profissional sozinho e documento sem dono. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.

Como a SEVS resolve

A SEVS atende hospitais e clínicas de todo o Brasil. Profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade e redigem o PCIH nos 8 componentes essenciais. Busca ativa, indicadores, protocolos, rondas e treinamentos ficam registrados no SentinelSaúde, prontos para a ANPCI e para a inspeção. Conheça a assessoria da SEVS e peça uma inspeção simulada sem custo. Veja também a composição da CCIH pela Portaria 2.616.

Conversar com a SEVS

Perguntas frequentes

O que é o PCIH?

É o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente para reduzir a incidência e a gravidade das infecções hospitalares. A definição está na Lei 9.431/1997, art. 1º, § 1º. Todo hospital do país é obrigado a mantê-lo.

O que o programa de controle de infecção precisa conter?

No mínimo, pela Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1: vigilância epidemiológica, normas e rotinas técnico-operacionais e capacitação dos profissionais. Também o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais.

Quais são os componentes essenciais de um programa de prevenção de infecção?

São os 8 componentes das diretrizes da OMS de 2016, adotados pela Anvisa. Programa de PCI, diretrizes, educação e treinamento, vigilância de IRAS e estratégias multimodais. Depois, monitoramento e auditoria com feedback, carga de trabalho e ocupação de leitos, e ambiente, materiais e equipamentos.

Hospital sem UTI será avaliado pela Anvisa?

Sim. A Meta 4 do PNPCIRAS 2026-2030 prevê 40% dos hospitais sem UTI na ANPCI em 2027 e 50% em 2029. Para hospitais com UTI, as metas são 70% e 80%.

Com que frequência o PCIH deve ser revisado?

A Portaria 2.616/1998 manda a CCIH manter e avaliar o programa, sem fixar prazo. A Anvisa avalia os hospitais em ciclos de dois anos (2027 e 2029). A SEVS adota a revisão anual, com versão datada e aprovada pela direção.

Imagem: Shixart1985, Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

Conheça a SEVS

Leia também

Todos os artigos