Higiene das mãos: quais são os 5 momentos da OMS e como medir a adesão?
Os 5 momentos da OMS, o tempo de fricção com álcool e com água e sabonete, o que a RDC 42/2010 e a Portaria 2.616/1998 exigem e como auditar a adesão.
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O programa de controle de infecção hospitalar (PCIH) é obrigatório pela Lei 9.431/1997 e tem conteúdo mínimo na Portaria 2.616/1998. A Anvisa avalia os programas hospitalares em 2027 e 2029 com o IPCAF da OMS, organizado em 8 componentes essenciais.
Programa de controle de infecção hospitalar é definido na Lei 9.431/1997, art. 1º, § 1º. É o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente para reduzir ao máximo a incidência e a gravidade dessas infecções. A Portaria 2.616/1998 repete a definição no Anexo I, item 1, e entrega a execução à CCIH. Na prática, o PCIH é o documento que descreve o que o hospital faz para prevenir IRAS. Quem faz, com que método, com que indicadores e com que resultado. É o programa, e não a comissão, que a Anvisa avalia.
A Lei 9.431/1997, art. 2º, manda o hospital constituir a CCIH para executar o programa. O art. 9º aplica as penalidades da Lei 6.437/1977 a quem descumprir.
A Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1, manda a CCIH elaborar, implementar, manter e avaliar o PCIH. O programa contempla, no mínimo, quatro ações. Sistema de vigilância epidemiológica das infecções (item 3.1.1). Normas e rotinas técnico-operacionais (3.1.2). Capacitação do quadro de profissionais (3.1.3). Uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais (3.1.4). Os itens 3.2 a 3.12 completam as competências: avaliar os dados da vigilância, investigar surtos e divulgar relatórios. Também definir a política de antimicrobianos com a Comissão de Farmácia e Terapêutica e elaborar o regimento interno. O Anexo III recomenda a busca ativa como método de coleta. Ele lista os indicadores: taxa de infecção hospitalar, taxa por procedimento, distribuição por topografia e sensibilidade aos antimicrobianos.
O PNPCIRAS 2026-2030 foi fundamentado nos componentes essenciais da OMS, publicados nas diretrizes de 2016. A Meta 4 prevê a ANPCI dos hospitais em 2027 e 2029. O instrumento é o IPCAF da OMS, traduzido e adaptado pela Anvisa, em 8 componentes essenciais. A escala é de 70% dos hospitais com UTI e 40% dos sem UTI em 2027. Em 2029, 80% e 50%. Na avaliação do próprio PNPCIRAS em 2024, o componente de educação e treinamento subiu de 15% para 33% de conformidade. Ele segue como o maior desafio do programa nacional.
O material educativo da Anvisa sobre os componentes essenciais detalha cada um. O roteiro abaixo cruza esses componentes com o que a Portaria 2.616/1998 já exige.
| Componente essencial | O que escrever no PCIH | Evidência para a avaliação |
|---|---|---|
| 1. Programa de PCI | Objetivos, equipe da CCIH com carga horária, orçamento e vínculo com a direção | Ato de nomeação, regimento, organograma |
| 2. Diretrizes de PCI | Normas e rotinas por tema (item 3.1.2), baseadas em evidência | POPs aprovados e datados |
| 3. Educação e treinamento | Plano anual de capacitação (item 3.1.3) por categoria profissional | Listas de presença, conteúdo, avaliação |
| 4. Vigilância de IRAS | Método de busca ativa, definições de caso e indicadores do Anexo III | Fichas de vigilância, relatórios mensais |
| 5. Estratégias multimodais | Bundles para as IRAS prioritárias e higiene das mãos | Checklists preenchidos, adesão medida |
| 6. Monitoramento, auditoria e feedback | Auditorias de práticas e devolutiva aos setores | Relatórios de auditoria, atas de devolutiva |
| 7. Carga de trabalho, equipe e ocupação de leitos | Critérios de ocupação e dimensionamento nas áreas críticas | Registros de ocupação, escalas |
| 8. Ambiente, materiais e equipamentos | Infraestrutura sanitária, isolamento, EPI e insumos de higiene das mãos | Inventário, rondas registradas |
Roteiro de redação, versão e aprovação:
O denominador comum é o improviso: planilha solta, profissional sozinho e documento sem dono. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.
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É o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente para reduzir a incidência e a gravidade das infecções hospitalares. A definição está na Lei 9.431/1997, art. 1º, § 1º. Todo hospital do país é obrigado a mantê-lo.
No mínimo, pela Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1: vigilância epidemiológica, normas e rotinas técnico-operacionais e capacitação dos profissionais. Também o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais.
São os 8 componentes das diretrizes da OMS de 2016, adotados pela Anvisa. Programa de PCI, diretrizes, educação e treinamento, vigilância de IRAS e estratégias multimodais. Depois, monitoramento e auditoria com feedback, carga de trabalho e ocupação de leitos, e ambiente, materiais e equipamentos.
Sim. A Meta 4 do PNPCIRAS 2026-2030 prevê 40% dos hospitais sem UTI na ANPCI em 2027 e 50% em 2029. Para hospitais com UTI, as metas são 70% e 80%.
A Portaria 2.616/1998 manda a CCIH manter e avaliar o programa, sem fixar prazo. A Anvisa avalia os hospitais em ciclos de dois anos (2027 e 2029). A SEVS adota a revisão anual, com versão datada e aprovada pela direção.
Imagem: Shixart1985, Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
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