CCIH: o que é e o que a Lei 9.431/1997 exige de todo hospital?
O que é a CCIH, o que a Lei 9.431/1997 e a Portaria 2.616/1998 exigem, a diferença para o SCIH e a sanção da Lei 6.437/1977.
Ler o artigoArtigos · CCIH
Os 5 momentos da OMS para a higiene das mãos são antes de tocar o paciente, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após tocar o paciente e após tocar superfícies próximas a ele. Em cada momento, o profissional fricciona as mãos com preparação alcoólica por 20 a 30 segundos ou lava com água e sabonete por 40 a 60 segundos, quando há sujidade visível.
A higiene das mãos nos 5 momentos é o modelo da Organização Mundial da Saúde para a assistência. Ele define quando o profissional de saúde deve higienizar as mãos. Cada momento é uma oportunidade: um instante em que a higiene é devida. O objetivo é interromper a transmissão de microrganismos entre pacientes, profissionais e superfícies. A Portaria 2.616/1998 afirma que essa é, isoladamente, a ação mais importante contra as infecções hospitalares. O desafio dos hospitais não é conhecer a regra: é medir se ela está sendo cumprida.
Na inspeção, a Vigilância Sanitária verifica itens objetivos. Preparação alcoólica no ponto de assistência: leito, box, sala de procedimento. Pias com sabonete líquido e papel-toalha. Protocolo de higiene das mãos escrito e aprovado. Treinamento documentado da equipe assistencial. Indicador de adesão calculado e registrado.
| Momento | Exemplos | Quem protege |
|---|---|---|
| 1. Antes de tocar o paciente | Aferir pressão, ajudar a mudar de posição, examinar | O paciente, contra microrganismos trazidos de outros pacientes e de superfícies |
| 2. Antes de procedimento limpo ou asséptico | Punção, curativo, manipulação de cateter, sonda, dreno, preparo de medicação | O paciente, inclusive contra os próprios microrganismos que poderiam entrar no corpo |
| 3. Após risco de exposição a fluidos corporais | Sangue, secreções, excreções, após retirar luvas | O profissional e o ambiente |
| 4. Após tocar o paciente | Ao sair do contato, antes de tocar qualquer outra coisa | O profissional, o próximo paciente e o ambiente |
| 5. Após tocar superfícies próximas ao paciente | Cama, grades, mesa de cabeceira, bomba de infusão, monitor | O profissional, o próximo paciente e o ambiente |
Os momentos 1 e 2 protegem o paciente. Os momentos 3, 4 e 5 protegem o profissional, o próximo paciente e o ambiente.
Em cada momento, o método depende do estado das mãos:
| Método | Tempo | Quando usar |
|---|---|---|
| Preparação alcoólica | 20 a 30 segundos | Primeira escolha na assistência, com as mãos sem sujidade visível |
| Água e sabonete | 40 a 60 segundos | Mãos visivelmente sujas, após exposição a fluidos corporais, após uso do banheiro e em casos de Clostridioides difficile |
A OMS e a Anvisa preferem a preparação alcoólica: é mais rápida, mais eficaz contra a maioria dos microrganismos e agride menos a pele. Contra formadores de esporos, como o Clostridioides difficile, o álcool não funciona.
A OMS organiza a melhoria em cinco componentes, a chamada estratégia multimodal. Mudança de sistema, com produto no ponto de uso. Treinamento. Avaliação e feedback. Lembretes no local de trabalho. Clima de segurança institucional.
Nada disso é falta de competência. É improviso no lugar de método.
A assessoria da SEVS opera a CCIH e o NSP de hospitais e clínicas de todo o Brasil, com registro auditável. A equipe da SEVS faz a observação direta nos setores e registra cada oportunidade no SentinelSaúde. Calcula a adesão por setor e turno e devolve o resultado à equipe assistencial. O histórico fica guardado para a inspeção da Vigilância Sanitária. O hospital chega à fiscalização com protocolo, treinamento documentado e indicador prontos, sem planilha solta nem WhatsApp pessoal. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.
A preparação alcoólica é a primeira escolha. Água e sabonete ficam para mãos visivelmente sujas, após exposição a fluidos corporais e após uso do banheiro. Também nos casos de Clostridioides difficile, em que o álcool não funciona.
Aplicar na palma quantidade suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos. Friccionar as palmas entre si. Depois, palma sobre o dorso da outra mão, com os dedos entrelaçados. Palma contra palma, com os dedos entrelaçados. Dorso dos dedos contra a palma oposta. Cada polegar envolvido pela palma oposta. Pontas dos dedos e unhas na palma oposta. Deixar secar, sem enxaguar e sem toalha. Tudo em 20 a 30 segundos.
A RDC 42/2010 fixa entre 60% e 80% para a forma líquida. Para gel, espuma e outras formas, no mínimo 70%.
Ações realizadas divididas pelo número de oportunidades, vezes 100. A oportunidade é cada momento em que a higiene era devida, registrada por observação direta.
Não. O consumo em mililitros por paciente-dia mostra tendência e é barato de coletar. A observação direta é o método de referência da OMS e mede o comportamento.
Imagem: Markus Hygiene, wikimedia (CC BY-SA 4.0)
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
Conheça a SEVSO que é a CCIH, o que a Lei 9.431/1997 e a Portaria 2.616/1998 exigem, a diferença para o SCIH e a sanção da Lei 6.437/1977.
Ler o artigoA técnica de higienização simples das mãos em 12 passos, quando o álcool não substitui a lavagem e os erros que a auditoria mais encontra.
Ler o artigoFalar no WhatsApp
Me diga quem é você e o assunto. Assim a conversa já começa certa.