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Artigos · CCIH

Higiene das mãos: quais são os 5 momentos da OMS e como medir a adesão?

Por Enf.ª Julliana Porto · 6 de abr. de 2026

Os 5 momentos da OMS para a higiene das mãos são antes de tocar o paciente, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após tocar o paciente e após tocar superfícies próximas a ele. Em cada momento, o profissional fricciona as mãos com preparação alcoólica por 20 a 30 segundos ou lava com água e sabonete por 40 a 60 segundos, quando há sujidade visível.

Resposta rápida

  • Os 5 momentos da OMS: antes de tocar o paciente, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após tocar o paciente e após tocar superfícies próximas ao paciente.
  • A preparação alcoólica é a primeira escolha: fricção por 20 a 30 segundos. Água e sabonete, por 40 a 60 segundos, quando as mãos estão visivelmente sujas.
  • A RDC 42/2010 da Anvisa obriga preparação alcoólica no ponto de assistência. Concentração: 60% a 80% na forma líquida e no mínimo 70% em gel e espuma.
  • A Portaria 2.616/1998 define a higiene das mãos como a ação isolada mais importante contra a infecção hospitalar. A RDC 36/2013 a inclui nos protocolos básicos de segurança do paciente.
  • A adesão se mede por observação direta: ações realizadas divididas pelas oportunidades, vezes 100. O observador acompanha a assistência por períodos de 20 a 30 minutos.

O que é a higiene das mãos nos 5 momentos

A higiene das mãos nos 5 momentos é o modelo da Organização Mundial da Saúde para a assistência. Ele define quando o profissional de saúde deve higienizar as mãos. Cada momento é uma oportunidade: um instante em que a higiene é devida. O objetivo é interromper a transmissão de microrganismos entre pacientes, profissionais e superfícies. A Portaria 2.616/1998 afirma que essa é, isoladamente, a ação mais importante contra as infecções hospitalares. O desafio dos hospitais não é conhecer a regra: é medir se ela está sendo cumprida.

O que a norma exige

  • Portaria MS 2.616, de 12 de maio de 1998: inclui a higiene das mãos nas ações mínimas do Programa de Controle de Infecções Hospitalares. Define a higiene das mãos como a ação isolada mais importante na prevenção dessas infecções.
  • RDC 42, de 25 de outubro de 2010 (Anvisa): obriga os serviços de saúde a disponibilizar preparação alcoólica nos pontos de assistência e tratamento. Fixa a concentração: 60% a 80% na forma líquida e no mínimo 70% em gel, espuma e outras formas.
  • RDC 36/2013 (Anvisa): coloca a higiene das mãos entre os protocolos básicos do Plano de Segurança do Paciente.
  • Diretrizes da OMS de 2009: definem os 5 momentos, a técnica, os tempos de fricção e o método de observação direta.

Na inspeção, a Vigilância Sanitária verifica itens objetivos. Preparação alcoólica no ponto de assistência: leito, box, sala de procedimento. Pias com sabonete líquido e papel-toalha. Protocolo de higiene das mãos escrito e aprovado. Treinamento documentado da equipe assistencial. Indicador de adesão calculado e registrado.

Os cinco momentos

Momento Exemplos Quem protege
1. Antes de tocar o paciente Aferir pressão, ajudar a mudar de posição, examinar O paciente, contra microrganismos trazidos de outros pacientes e de superfícies
2. Antes de procedimento limpo ou asséptico Punção, curativo, manipulação de cateter, sonda, dreno, preparo de medicação O paciente, inclusive contra os próprios microrganismos que poderiam entrar no corpo
3. Após risco de exposição a fluidos corporais Sangue, secreções, excreções, após retirar luvas O profissional e o ambiente
4. Após tocar o paciente Ao sair do contato, antes de tocar qualquer outra coisa O profissional, o próximo paciente e o ambiente
5. Após tocar superfícies próximas ao paciente Cama, grades, mesa de cabeceira, bomba de infusão, monitor O profissional, o próximo paciente e o ambiente

Os momentos 1 e 2 protegem o paciente. Os momentos 3, 4 e 5 protegem o profissional, o próximo paciente e o ambiente.

Em cada momento, o método depende do estado das mãos:

Método Tempo Quando usar
Preparação alcoólica 20 a 30 segundos Primeira escolha na assistência, com as mãos sem sujidade visível
Água e sabonete 40 a 60 segundos Mãos visivelmente sujas, após exposição a fluidos corporais, após uso do banheiro e em casos de Clostridioides difficile

A OMS e a Anvisa preferem a preparação alcoólica: é mais rápida, mais eficaz contra a maioria dos microrganismos e agride menos a pele. Contra formadores de esporos, como o Clostridioides difficile, o álcool não funciona.

Passo a passo: como auditar a adesão

  1. Escolha um observador treinado e discreto, que não seja a chefia do setor.
  2. Acompanhe a assistência por períodos de 20 a 30 minutos.
  3. Registre cada oportunidade, isto é, cada momento em que a higiene era devida. Anote se a ação foi feita e com qual método.
  4. Calcule a adesão: ações realizadas divididas pelas oportunidades, vezes 100.
  5. Monte a amostra cobrindo turnos, categorias profissionais e setores.
  6. Devolva o resultado à equipe por setor, com nome do setor e sem nome de pessoa.
  7. Complemente com o consumo de produto: mililitros de preparação alcoólica e de sabonete líquido por paciente-dia. O dado sai do almoxarifado todo mês. Não mede comportamento individual, mas mostra tendência.
  8. Guarde o registro de cada rodada. Auditar sem devolver o resultado não muda nada. Devolver sem registro não serve para a Vigilância.

A OMS organiza a melhoria em cinco componentes, a chamada estratégia multimodal. Mudança de sistema, com produto no ponto de uso. Treinamento. Avaliação e feedback. Lembretes no local de trabalho. Clima de segurança institucional.

Erros mais comuns

  • Dispensador vazio no leito, no momento em que a higiene era devida.
  • Observação feita pela própria chefia do setor, que observa quem a vê chegando.
  • Indicador calculado uma vez por ano, só para a inspeção.
  • Treinamento sem lista de presença, que não comprova nada para a Vigilância.
  • Planilha de observação que não permite cruzar setor, turno e profissão.

Nada disso é falta de competência. É improviso no lugar de método.

Como a SEVS resolve

A assessoria da SEVS opera a CCIH e o NSP de hospitais e clínicas de todo o Brasil, com registro auditável. A equipe da SEVS faz a observação direta nos setores e registra cada oportunidade no SentinelSaúde. Calcula a adesão por setor e turno e devolve o resultado à equipe assistencial. O histórico fica guardado para a inspeção da Vigilância Sanitária. O hospital chega à fiscalização com protocolo, treinamento documentado e indicador prontos, sem planilha solta nem WhatsApp pessoal. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.

Conversar com a SEVS

Perguntas frequentes

Álcool em gel ou água e sabonete: qual usar?

A preparação alcoólica é a primeira escolha. Água e sabonete ficam para mãos visivelmente sujas, após exposição a fluidos corporais e após uso do banheiro. Também nos casos de Clostridioides difficile, em que o álcool não funciona.

Como é a técnica de fricção com preparação alcoólica?

Aplicar na palma quantidade suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos. Friccionar as palmas entre si. Depois, palma sobre o dorso da outra mão, com os dedos entrelaçados. Palma contra palma, com os dedos entrelaçados. Dorso dos dedos contra a palma oposta. Cada polegar envolvido pela palma oposta. Pontas dos dedos e unhas na palma oposta. Deixar secar, sem enxaguar e sem toalha. Tudo em 20 a 30 segundos.

Qual concentração de álcool a Anvisa exige?

A RDC 42/2010 fixa entre 60% e 80% para a forma líquida. Para gel, espuma e outras formas, no mínimo 70%.

Como calcular a taxa de adesão à higiene das mãos?

Ações realizadas divididas pelo número de oportunidades, vezes 100. A oportunidade é cada momento em que a higiene era devida, registrada por observação direta.

O consumo de álcool substitui a observação direta?

Não. O consumo em mililitros por paciente-dia mostra tendência e é barato de coletar. A observação direta é o método de referência da OMS e mede o comportamento.

Imagem: Markus Hygiene, wikimedia (CC BY-SA 4.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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