Higiene das mãos: quais são os 5 momentos da OMS e como medir a adesão?
Os 5 momentos da OMS, o tempo de fricção com álcool e com água e sabonete, o que a RDC 42/2010 e a Portaria 2.616/1998 exigem e como auditar a adesão.
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A prevenção de infecção de sítio cirúrgico segue o Protocolo 2 da Anvisa, publicado em 2025 e recomendado pela NT 11/2025. O protocolo reúne medidas por fase: antibiótico até 60 minutos antes da incisão, tricotomia só com aparador elétrico, clorexidina alcoólica a 2% na pele, glicemia entre 110 e 150 mg/dL, temperatura acima de 35,5 °C e vigilância pós-alta por 30 ou 90 dias.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é a infecção relacionada a procedimento cirúrgico, com ou sem implante. Vale para paciente internado ou ambulatorial. É a definição do protocolo da Anvisa. O documento estima que a ISC ocorre em 3% a 20% das cirurgias. No Brasil, responde por cerca de 14% a 16% das IRAS notificadas em pacientes internados. Até 60% das ISC são evitáveis, segundo dados globais citados pela Anvisa. A prevenção é um conjunto de medidas por fase, aplicadas em bloco: o bundle. O protocolo o define como pacote de 3 a 5 práticas.
A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 11/2025 é de 21 de novembro de 2025. Ela orienta os serviços a implementar protocolos de prevenção de IRAS em todas as unidades. Ela pede cinco protocolos mínimos: IPCS, ITU, PAV, ISC e precauções e isolamento. É um instrumento regulatório não normativo, com recomendações mínimas.
A NT 11/2025 explica a urgência. Na Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente de 2023, o indicador C.12 é o protocolo de ISC implantado. Foi o critério com mais não conformidades entre os hospitais com UTI. O mesmo ocorreu de 2020 a 2022.
Para a Anvisa, protocolo implementado é documento próprio do serviço, acessível no local da assistência. Exige equipe treinada e indicadores monitorados. A revisão deve ocorrer em até 3 anos. O modelo é o Protocolo 2, da Anvisa com a EBSERH, versão 1 de 05/06/2025. Ele cita as diretrizes da OMS (2016) e do CDC (2017).
A tabela resume o que o Protocolo 2 da Anvisa recomenda em cada fase. Os valores são os do documento.
| Fase | Medida | O que o protocolo recomenda |
|---|---|---|
| Pré | Infecções a distância | Tratar antes de cirurgia eletiva; adiar se preciso |
| Pré | Descolonização | Triagem de S. aureus em cirurgias de alto risco; clorexidina 4% e mupirocina nasal por 5 dias, se indicado |
| Pré | Banho | Água e sabão na véspera ou na manhã; clorexidina 4% cerca de 2 horas antes em cirurgias de grande porte, quando indicado |
| Pré | Tricotomia | Só se o pelo atrapalha a incisão; aparador elétrico, fora da sala, imediatamente antes; lâmina é proibida |
| Pré | Antibiótico profilático | Até 60 minutos antes da incisão; vancomicina e fluoroquinolonas entre 60 e 120 minutos |
| Pré | Preparo da pele | Degermação e clorexidina alcoólica a 2%; PVPI alcoólico a 10% se houver contraindicação |
| Intra | Glicemia | Entre 110 e 150 mg/dL, com ou sem diabetes |
| Intra | Temperatura | Monitorar a temperatura central e manter acima de 35,5 °C, com aquecimento ativo |
| Intra | Repique | Repetir a dose após duas meias-vidas do antimicrobiano, em cirurgias longas |
| Pós | Suspensão da profilaxia | Não exceder 24 horas; não manter até retirar dreno ou cateter |
| Pós | Glicemia | Entre 110 e 150 mg/dL em adultos, até 24 a 48 horas |
| Pós | Curativo | Estéril por 24 a 48 horas em cicatrização por primeira intenção |
| Pós | Vigilância pós-alta | 30 dias sem implante; 90 dias com implante |
Na tricotomia, o Apêndice A traz um modelo de POP. Avaliar a pele e definir a área com o cirurgião. Usar aparador elétrico fora da sala. Registrar quem fez, data, horário e área. Lâmina e barbeador manual são proibidos pelo risco de microtrauma. O paciente não deve remover pelos em casa.
O protocolo sugere três indicadores de processo e dois de resultado, todos com análise mensal. Cada um tem ficha própria nos apêndices B a F.
A auditoria por cirurgia nasce desses registros. Horário da profilaxia na ficha anestésica, curva de temperatura, ficha de tricotomia e ficha de vigilância pós-alta. Sem eles, o indicador não fecha. Os indicadores vão mensalmente às equipes e à direção. A busca ativa pós-alta precisa de um POP de busca fonada, referenciado no protocolo.
O protocolo veda lâmina e barbeador manual. Aparador elétrico, fora da sala, imediatamente antes.
Dose horas antes, na enfermaria, ou após a incisão. O prazo é de até 60 minutos antes.
Manter antibiótico "até tirar o dreno" não tem indicação. O limite é de 24 horas.
Sem curva de temperatura central, o indicador de normotermia não existe.
ISC com implante aparece em até 90 dias. Sem contato pós-alta, a taxa fica subestimada. Veja busca ativa por 90 dias.
Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade. Eles adaptam o Protocolo 2 ao centro cirúrgico, escrevem os POPs e treinam a equipe assistencial. No SentinelSaúde, cada cirurgia entra com os dados do bundle. A vigilância pós-alta é disparada por cirurgia e os indicadores saem mensais. A SEVS também faz inspeção simulada sem custo.
Pré-operatório: banho, tricotomia com aparador, antibiótico até 60 minutos antes e clorexidina alcoólica a 2%. Intraoperatório: glicemia de 110 a 150 mg/dL e temperatura acima de 35,5 °C. Pós-operatório: profilaxia por no máximo 24 horas, curativo estéril por 24 a 48 horas e vigilância pós-alta.
Não. O protocolo da Anvisa proíbe lâmina e barbeador manual pelo risco de microtrauma. A remoção só ocorre se o pelo interferir na incisão, com aparador elétrico, fora da sala e imediatamente antes.
Clorexidina alcoólica a 2%, após degermação, em extensão ampla. Com contraindicação (alergia, cirurgia otológica ou oftalmológica), PVPI alcoólico a 10%. Em prematuros com menos de 28 semanas, clorexidina aquosa acima de 1%.
O protocolo associa a normotermia à redução de ISC, de distúrbios de coagulação e do tempo de recuperação anestésica. A recomendação é manter a temperatura central acima de 35,5 °C, com aquecimento ativo.
Três de processo: antibiótico até 60 minutos antes da incisão, vigilância pós-alta e normotermia. Dois de resultado: taxa de ISC em cirurgias limpas e por tipo de procedimento. Análise mensal.
Imagem: Tyler Frew MD, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
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