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Artigos · CCIH

Pneumonia associada à ventilação mecânica: o que o bundle de prevenção da Anvisa exige?

Por Enf.ª Julliana Porto · 6 de ago. de 2026

Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é a pneumonia que surge após mais de dois dias de ventilador, pelos critérios da NT 03/2026 da Anvisa. O protocolo-modelo da Anvisa de 2025 reúne a prevenção em um checklist diário de sete itens, com cabeceira a 30 a 45°, despertar diário, higiene oral, pressão do cuff, aspiração, circuito e umidificador.

Resposta rápida

  • PAV é a pneumonia em paciente com mais de dois dias de ventilação mecânica. O dia da instalação é o D1 (NT 03/2026 da Anvisa).
  • O protocolo-modelo da Anvisa, versão 1, de 2025, traz um checklist diário de sete medidas, conferido nos três turnos.
  • O checklist inclui cabeceira a 30 a 45°, higiene oral duas vezes ao dia e despertar diário. O cuff fica entre 25 e 30 cmH2O.
  • O indicador é a densidade de incidência: casos de PAV por ventilador-dia, vezes 1.000. Vai à Anvisa até o 15º dia do mês seguinte.
  • Meta 11 do PNPCIRAS 2026-2030: percentil 90 nacional de até 15 PAV por 1.000 VM-dia em UTI adulto.

O que é pneumonia associada à ventilação mecânica

Pela NT 03/2026 da Anvisa, PAV é a pneumonia em paciente ventilado por mais de dois dias consecutivos de calendário. O D1 é o dia da instalação do ventilador, então o caso só conta a partir do D3. Na data da infecção, o paciente estava em ventilação ou havia sido extubado no dia anterior. O critério epidemiológico exige imagem compatível, um sinal sistêmico e dois sinais respiratórios, dentro da janela de infecção. O diagnóstico médico de pneumonia, sozinho, não fecha o critério. Para a CCIH, PAV é a IRAS de maior densidade de incidência nas UTI brasileiras.

O que a norma exige

A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 11/2025, de 21/11/2025, orienta a implementação de cinco protocolos mínimos de prevenção de IRAS. O de PAV é um deles. Protocolo implementado, pela nota, é documento próprio, acessível no ponto de assistência, com equipe treinada e indicadores monitorados.

Com a NT 11/2025, a Anvisa e a Ebserh publicaram o Protocolo de prevenção de PAV, versão 1, de 2025. É um modelo para o hospital adaptar, validar, aprovar e monitorar.

A Nota Técnica nº 03/2026, de 02/01/2026, fixa os critérios diagnósticos de PAV para a notificação nacional obrigatória. Os indicadores das UTI adulto, pediátrica e neonatal vão à Anvisa até o 15º dia do mês seguinte. Os prazos estão em NOTIVISA: como notificar.

O PNPCIRAS 2026-2030, programa nacional da Anvisa, traz duas metas diretas. A Meta 7 prevê, até 2030, 90% dos hospitais com UTI adulto avaliados com seis protocolos implantados, incluindo PAV. A Meta 11 fixa o percentil 90 da densidade nacional. O limite é 15 PAV por 1.000 VM-dia em UTI adulto e 8 nas UTI pediátrica e neonatal.

Critérios: os sete itens do checklist diário

O Apêndice A do protocolo da Anvisa lista sete medidas, verificadas por turno. Cada item recebe C (conforme), NC (não conforme) ou NA (não se aplica, com justificativa). O dia só pontua como aderente se nenhum item estiver não conforme.

Item do checklist O que o protocolo exige Conforme quando
Extubação e sedação Menor dose de sedação; avaliar a redução todo dia, com registro; teste de respiração espontânea quando indicado Orientações seguidas e registradas
Filtro e umidificador Preferir HME; trocar a partir de 48 horas e no máximo em 7 dias, ou conforme o fabricante Registro diário da avaliação e das trocas
Decúbito elevado Cabeceira entre 30 e 45°, salvo contraindicação; conferir o ângulo a cada turno Paciente no ângulo correto na conferência
Pressão do cuff Entre 18 e 22 mmHg ou 25 e 30 cmH2O; documentar cada aferição Valor dentro da faixa
Higiene oral Ao menos duas vezes ao dia, conforme o POP, com cabeceira elevada Registro em dois períodos ou observação direta
Circuito do ventilador Trocar só por sujidade, mau funcionamento ou contaminação; nunca drenar condensado para o paciente Sem condensado e sem troca programada
Aspiração de vias aéreas Técnica asséptica; preferir sistema fechado, trocado a cada 72 horas ou conforme o fabricante Registro da avaliação e da aspiração

O protocolo acrescenta medidas fora do checklist. Nutrição enteral precoce, antes de 48 horas. Preferência por ventilação não invasiva sempre que possível. Nebulizadores de uso exclusivo, trocados a cada 24 horas. Extubação acidental é notificada no sistema interno e no NOTIVISA.

Como calcular: os quatro indicadores do protocolo

O protocolo recomenda análise mensal, separada por UTI adulto, pediátrica e neonatal.

Indicador Fórmula Tipo
Densidade de incidência de PAV Casos novos no mês ÷ pacientes em VM-dia × 1.000 Resultado
Taxa de utilização de VM Pacientes em VM-dia ÷ pacientes-dia × 100 Resultado
Adesão à aplicação do checklist Checklists aplicados ÷ pacientes em VM-dia × 100 Processo
Adesão ao pacote de medidas Checklists todos conformes ÷ checklists aplicados × 100 Processo

Ventilador-dia é a soma dos pacientes ventilados a cada dia do mês. Seis pacientes ventilados em todos os 30 dias somam 180 VM-dia. Dois casos de PAV nesse mês dão 11,1 por 1.000 VM-dia.

Densidade alta com adesão alta pede revisão do protocolo. Densidade alta com adesão baixa pede treinamento e supervisão.

O PNPCIRAS registra a referência nacional: 9,4 PAV por 1.000 VM-dia em UTI adulto. Nas UTI pediátrica e neonatal, 4,0. O protocolo cita a estimativa de que cerca de 33% dos pacientes com PAV evoluem para óbito.

Erros mais comuns

  • Contar PAV a partir de 48 horas de relógio. O critério é por dia de calendário: o caso só entra a partir do D3.
  • Checklist preenchido no fim do plantão, de memória. O protocolo pede conferência por turno.
  • Trocar circuito em intervalo fixo. A troca é só por sujidade, falha ou contaminação documentada.
  • Aferir o cuff sem anotar o valor. Sem registro, o item não é conforme.
  • Calcular a densidade com leitos ocupados em vez de ventilador-dia.
  • Repetir o mesmo episódio como caso novo. Novo episódio exige novos sinais, nova imagem e intervalo maior que 14 dias desde a infecção anterior.

Como a SEVS resolve

A SEVS atende hospitais e clínicas em todo o Brasil. Os profissionais da SEVS compõem a CCIH e o NSP com colaboradores da unidade. Eles adaptam o protocolo-modelo da Anvisa à rotina da UTI e auditam o checklist por turno. A busca ativa aplica os critérios da NT 03/2026. O SentinelSaúde calcula a densidade por ventilador-dia, a taxa de utilização e a adesão ao pacote. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável. Assim chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Conheça a assessoria da SEVS.

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Perguntas frequentes

O que é pneumonia associada à ventilação mecânica?

É a pneumonia em paciente com mais de dois dias consecutivos de ventilador mecânico. O dia da instalação conta como D1. Na data da infecção, o paciente estava ventilado ou havia sido extubado no dia anterior. O critério é da NT 03/2026 da Anvisa.

Quais são os itens do bundle de PAV?

O checklist do protocolo da Anvisa de 2025 tem sete itens. Avaliação diária da extubação e da sedação, filtro e umidificador, cabeceira entre 30 e 45°, pressão do cuff. Completam a lista higiene oral duas vezes ao dia, cuidados com o circuito e aspiração de vias aéreas.

Como calcular a densidade de PAV?

Divida os casos novos de PAV no mês pelos pacientes em ventilação mecânica-dia e multiplique por 1.000. Ventilador-dia é a soma dos pacientes ventilados a cada dia do mês.

PAV é de notificação obrigatória?

Sim. A densidade de PAV e a taxa de utilização de ventilador das UTI são notificadas à Anvisa. O prazo é mensal, até o 15º dia do mês seguinte ao da vigilância.

Qual a meta nacional de PAV?

A Meta 11 do PNPCIRAS 2026-2030 é reduzir o percentil 90 nacional da densidade até 2030. O limite é 15 PAV por 1.000 VM-dia em UTI adulto e 8 nas UTI pediátrica e neonatal.

Imagem: Norbert Kaiser, Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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