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Artigos · Segurança do paciente

Never events: quais são os 30 eventos da lista da Anvisa e o que fazer quando um acontece?

Por Enf.ª Julliana Porto · 24 de set. de 2026

Never events são os 30 eventos que nunca deveriam ocorrer em serviços de saúde, listados pela Anvisa no Anexo 5 do Plano Integrado 2026-2030 e na NT 09/2025. Quando um acontece, o NSP notifica no Notivisa em até 72 horas e conclui a investigação, com plano de ação anexado, em 60 dias corridos.

Resposta rápida

  • Never events são eventos sentinela, catastróficos, que nunca deveriam ocorrer em serviços de saúde. Um único caso basta para abrir investigação.
  • A Anvisa lista 30 never events no Notivisa, códigos NE-1 a NE-30, no Anexo 5 do Plano Integrado 2026-2030.
  • Seis são do centro cirúrgico: cirurgia em local, lado ou paciente errado, corpo estranho retido e óbito em ASA 1.
  • A NT 09/2025 dá aos never events o mesmo prazo dos óbitos por evento adverso: notificação em 72 horas.
  • As 10 etapas do formulário, com causa raiz e plano de ação anexado, são concluídas em 60 dias corridos.

O que é never event

Never event é um evento sentinela, catastrófico, que nunca deveria ocorrer em um serviço de saúde. A definição está no glossário do Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente 2026-2030, da Anvisa. Nesse indicador, um único caso basta para identificar problema e abrir investigação. A NT 09/2025 usa a mesma definição e lista os 30 eventos do Notivisa 2.0. No âmbito nacional, never events e óbitos por evento adverso são os casos prioritários para notificação e investigação.

O que a norma exige

A RDC 36/2013 da Anvisa é de 25 de julho de 2013. Ela obriga todo serviço de saúde a constituir um Núcleo de Segurança do Paciente. O art. 10 manda notificar os eventos adversos até o 15º dia útil do mês seguinte. Os óbitos, em até 72 horas. O art. 13 define o descumprimento como infração sanitária, nos termos da Lei 6.437/1977.

A RDC 36/2013 não cita a expressão never event. O Plano Integrado 2026-2030 resolve a lacuna: pela gravidade, essas notificações têm o mesmo tratamento dos óbitos. A NT 09/2025, de 29 de julho de 2025, confirma. Óbitos e never events são notificados em 72 horas. As 10 etapas do formulário são preenchidas em 60 dias corridos.

Na cirurgia, a referência internacional é a OMS. A página de cirurgia segura da OMS informa que até 25% dos pacientes operados têm complicações. Ao menos metade do dano cirúrgico é evitável.

Critérios: a lista dos 30 never events da Anvisa

A tabela reproduz o Anexo 5 do Plano Integrado 2026-2030, agrupado por área, com a numeração do Notivisa.

Área Never events (código)
Centro cirúrgico Óbito intraoperatório ou imediatamente pós-operatório em paciente ASA 1 (NE-12); cirurgia em local errado (NE-23); no lado errado (NE-24); no paciente errado (NE-25); cirurgia errada (NE-27); retenção não intencional de corpo estranho (NE-28)
Quedas e lesão por pressão Lesão grave ou óbito associado à queda (NE-7); lesão por pressão estágio 3 (NE-8), estágio 4 (NE-9) e não classificável (NE-10); óbito associado à queda (NE-11)
Gases, equipamentos e ambiente Contaminação na administração de O2 ou gases medicinais (NE-2); gás errado (NE-5); choque elétrico (NE-14); objeto metálico em área de ressonância magnética (NE-15); contenção física ou grades da cama (NE-16); queimadura (NE-17)
Materno-infantil Desaparecimento do corpo do recém-nascido que foi a óbito (NE-3); óbito ou lesão grave de recém-nascido no parto de baixo risco (NE-19); óbito ou lesão materna grave no parto (NE-22); queda do recém-nascido durante o parto (NE-26); troca ou rapto de bebês (NE-30)
Diagnóstico e exames Perda irrecuperável de amostra biológica insubstituível (NE-18); falha na comunicação de exames laboratoriais (NE-20); falha, erro de diagnóstico ou de comunicação em exames radiológicos (NE-21)
Outros Alta de paciente incapaz de decidir para pessoa não autorizada (NE-1); exodontia de dente errado (NE-4); inseminação ou fertilização com gameta errado (NE-6); fuga do paciente (NE-13); suicídio, tentativa ou dano autoinfligido (NE-29)

Dois detalhes ajudam o NSP a classificar. A lesão por pressão entra na lista a partir do estágio 3, perda total da espessura da pele. A queda só é never event quando há lesão grave ou óbito. Os demais casos seguem o fluxo mensal.

Passo a passo: o que fazer quando um never event acontece

A sequência abaixo segue a NT 09/2025 e o Plano Integrado 2026-2030.

  1. Comunicar o NSP imediatamente, para classificar o incidente quanto ao tipo, grau de dano e características.
  2. Notificar no Notivisa em até 72 horas, com as etapas 1 a 4. Tipo de incidente, consequências para o paciente, características do paciente e do evento.
  3. Abrir a investigação com as instâncias envolvidas. O objetivo é identificar os fatores contribuintes, sem procurar culpados.
  4. Concluir as etapas 5 a 10 em 60 dias corridos. Fatores contribuintes, consequências organizacionais, detecção, fatores atenuantes, ações de melhoria e de redução do risco.
  5. Elaborar o plano de ação e anexá-lo à notificação. O NSP VISA analisa a notificação, verifica o anexo e pede adequação se for preciso.
  6. Implementar e monitorar o plano, com comprovação documental, apresentada à VISA quando solicitada.
  7. Comunicar o resultado aos envolvidos, à alta direção e ao notificante, na forma de devolutiva.

As ferramentas de análise de causa raiz estão em investigação de evento adverso grave: 72 horas e 60 dias.

Erros mais comuns

Classificar como evento comum

Corpo estranho retido ou lesão por pressão estágio 3 notificados no fluxo mensal perdem o prazo de 72 horas.

Não notificar por medo da fiscalização

O Plano Integrado busca aprendizagem com a falha. Não notificar descumpre a RDC 36/2013.

Fechar na etapa 4

Never event exige as 10 etapas e o plano anexado. A VISA só conclui a notificação com a investigação bem conduzida.

Plano de ação genérico

As ações precisam apontar para os fatores contribuintes identificados, com responsável e prazo.

Contagem cirúrgica sem registro

O protocolo de ISC da Anvisa pede contagem de compressas e instrumentais registrada. Sem registro, não há rastreabilidade.

Como a SEVS resolve

Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem o NSP com colaboradores da unidade. Eles classificam o evento, conduzem a investigação e escrevem o plano de ação no prazo. No SentinelSaúde, a notificação de um never event abre o fluxo de 72 horas e 60 dias. O registro traz alertas de vencimento, as 10 etapas do Notivisa e o plano de ação anexado. A SEVS faz inspeção simulada sem custo.

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Perguntas frequentes

O que são never events?

São eventos sentinela, catastróficos, que nunca deveriam ocorrer em serviços de saúde. Um único caso basta para identificar problema e abrir investigação. A definição é do Plano Integrado 2026-2030 da Anvisa.

Quais são os never events da Anvisa?

São 30, listados no Notivisa 2.0 e no Anexo 5 do Plano Integrado. Incluem cirurgia em local, lado ou paciente errado, corpo estranho retido e óbito em paciente ASA 1. Também queda com lesão grave, lesão por pressão estágio 3 e 4, gás errado, queimadura e troca de bebês.

Never event precisa ser notificado em 72 horas?

Sim. A NT 09/2025 e o Plano Integrado 2026-2030 dão aos never events o mesmo tratamento dos óbitos por evento adverso. Notificação em 72 horas e investigação completa em 60 dias corridos.

Retenção de corpo estranho é never event?

Sim. É o NE-28: retenção não intencional de corpo estranho após a cirurgia. Exige notificação em 72 horas e as 10 etapas em 60 dias.

O que acontece depois da notificação de um never event?

O NSP VISA analisa a notificação imediatamente e verifica se o plano de ação foi anexado. Pode pedir informações, fazer investigação no local e aplicar medidas sanitárias. Com a investigação bem conduzida, a situação muda para "concluída".

Imagem: Ibrahim Achiri, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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