Higiene das mãos: quais são os 5 momentos da OMS e como medir a adesão?
Os 5 momentos da OMS, o tempo de fricção com álcool e com água e sabonete, o que a RDC 42/2010 e a Portaria 2.616/1998 exigem e como auditar a adesão.
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Os indicadores de infecção hospitalar obrigatórios pela Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 5.12, são quatro: taxa de infecção hospitalar, taxa de pacientes com infecção, distribuição por topografia e letalidade, no mínimo em UTI, berçário de alto risco e queimados. Para a notificação nacional, a NT 01/2026 da Anvisa usa a densidade de incidência por 1.000 dispositivos-dia e a incidência de ISC por cirurgia.
Indicador de infecção hospitalar é uma razão entre numerador e denominador em um período definido. O numerador traz casos ou pacientes com infecção. O denominador traz pacientes, saídas, pacientes-dia ou dispositivos-dia. Para a Portaria 2.616/1998, vigilância epidemiológica é a observação ativa, sistemática e contínua das infecções (Anexo III, item 1). O indicador transforma essa observação em número comparável mês a mês. Sem denominador coletado todo dia, o número não existe. Os termos estão no glossário.
A Portaria 2.616 é de 12 de maio de 1998. O Anexo III, item 3, recomenda métodos de busca ativa para a coleta de dados. O item 5 lista os indicadores a serem obtidos e analisados periodicamente. O item 5.12 torna obrigatórios os indicadores 5.1, 5.2, 5.3 e 5.11. Valem no mínimo em berçário de alto risco, UTI (adulto, pediátrica e neonatal) e queimados.
O item 6.1 manda a CCIH elaborar periodicamente um relatório com os indicadores interpretados e analisados. Esse relatório vai a todos os serviços e à direção. O item 6.2 exige que ele traga o nível endêmico, as alterações detectadas, as medidas adotadas e os resultados. O item 6.3 considera desejável que cada cirurgião receba, uma vez por ano, suas taxas de infecção em cirurgias limpas. Recebe também a média dos colegas da mesma especialidade.
A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 01/2026, de 2 de janeiro de 2026, define os indicadores de notificação nacional. Hospitais com UTI notificam a densidade de incidência de IPCSL, PAV e ITU-AC. Notificam também a taxa de utilização de cada dispositivo e o perfil de resistência dos microrganismos. Hospitais com centro cirúrgico ou obstétrico notificam a incidência de ISC por cirurgia. A notificação é mensal, até o 15º dia do mês seguinte.
| Indicador | Numerador | Denominador | Item |
|---|---|---|---|
| Taxa de infecção hospitalar | Episódios de infecção no período | Saídas (altas, óbitos e transferências) ou entradas | 5.1 |
| Taxa de pacientes com infecção | Pacientes que tiveram infecção no período | Saídas ou entradas no período | 5.2 |
| Distribuição por topografia | Episódios em cada topografia | Total de episódios no período | 5.3 |
| Taxa por procedimento | Pacientes com infecção após um procedimento de risco | Pacientes submetidos ao procedimento | 5.4 |
| Frequência por microrganismo | Episódios causados por um microrganismo | Total de episódios no período | 5.8 |
| Coeficiente de sensibilidade | Cepas de um microrganismo sensíveis a um antimicrobiano | Cepas testadas do mesmo agente | 5.9 |
| Taxa de letalidade | Óbitos de pacientes com infecção no período | Pacientes que desenvolveram infecção | 5.11 |
O item 5.5 recomenda calcular 5.1 e 5.2 com pacientes-dia no denominador. Pacientes-dia é a soma dos dias de permanência de todos os pacientes no período (item 5.5.1). O item 5.6 admite procedimentos-dia para a taxa por procedimento. O item 5.7 cita a taxa de infecção do sítio cirúrgico por cirurgião e por especialidade.
A densidade de incidência (DI) considera o tempo de exposição ao dispositivo. A NT 01/2026 define assim:
DI = casos novos do evento no mês dividido pelo total de pacientes-dia expostos ao fator de risco, vezes 1.000.
O denominador exige coleta diária. Soma-se, dia a dia, o número de pacientes com o dispositivo. No exemplo da nota, 10 pneumonias em 200 pacientes em ventilação mecânica-dia dão DI de 50 por 1.000 ventilador-dia.
A taxa de utilização (TU) mostra quanto o fator de risco está presente na unidade:
TU = pacientes expostos ao fator de risco-dia dividido pelo total de pacientes-dia da unidade, vezes 100.
No mesmo exemplo, 200 ventilador-dia em 360 pacientes-dia dão TU de 55,6% (a nota imprime 56,6%).
| Indicador nacional | Numerador | Denominador |
|---|---|---|
| DI de IPCSL | Pacientes com IPCSL na UTI | Pacientes com cateter central-dia na UTI |
| DI de PAV | Pacientes com PAV na UTI | Pacientes em ventilação mecânica-dia na UTI |
| DI de ITU-AC | Pacientes com ITU-AC na UTI | Pacientes com cateter vesical de demora-dia na UTI |
| TU de cada dispositivo | Pacientes com o dispositivo-dia | Pacientes-dia na UTI |
| Incidência de ISC | ISC após a cirurgia vigiada | Cirurgias do tipo realizadas no período |
A incidência de ISC é notificada para cesariana, implante mamário e próteses primárias de quadril e de joelho. Também para revascularização do miocárdio e derivação interna neurológica. Serviços que fazem cirurgia de catarata notificam a endoftalmite após facectomia. O exemplo da nota: 8 ISC em 160 cesarianas dão 5%. A vigilância dura 30 dias na cesariana e 90 dias nas demais. O envio segue o roteiro de notificação no Notivisa.
A NT 01/2026 exige soma diária dos pacientes com dispositivo. Chute no dia 30 não é indicador.
Dividir casos por saídas ignora o tempo de exposição. Para IPCSL, PAV e ITU-AC a Anvisa pede densidade por 1.000 dispositivos-dia.
O item 6.1 do Anexo III exige relatório periódico à direção e aos serviços, com análise.
O item 6.3 prevê o relatório anual por cirurgião em cirurgia limpa. Sem ele, a ISC não muda.
Fórmula na célula e histórico no computador de quem saiu de férias. O fiscal pede a série e não encontra.
Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade e definem o plano de vigilância: setores, indicadores, fonte e horário da coleta. No SentinelSaúde, o censo diário de dispositivos alimenta o denominador e a busca ativa alimenta o numerador. A densidade de incidência sai calculada por unidade. O relatório mensal à direção e o relatório anual por cirurgião saem do mesmo registro. Antes da inspeção, a SEVS faz uma inspeção simulada sem custo. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta.
Pela Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 5.12: taxa de infecção hospitalar, taxa de pacientes com infecção, distribuição por topografia e letalidade. Valem no mínimo em UTI, berçário de alto risco e queimados. Hospitais com UTI ainda notificam à Anvisa a densidade de IPCSL, PAV e ITU-AC.
Número de episódios de infecção hospitalar no período dividido pelo total de saídas ou entradas no mesmo período (item 5.1). A portaria recomenda usar pacientes-dia no denominador (item 5.5).
Razão entre os casos novos no mês e o total de pacientes-dia expostos ao fator de risco, multiplicada por 1.000. É a medida da NT 01/2026 para IPCSL, PAV e ITU-AC.
A taxa usa pacientes ou saídas no denominador. A densidade usa dispositivos-dia e considera o tempo de exposição. Por isso a Anvisa adota a densidade nas infecções associadas a cateter e ventilador.
A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 6.3, considera desejável que cada cirurgião receba anualmente suas taxas em cirurgias limpas. Recebe também a média dos colegas da mesma especialidade.
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
Conheça a SEVSOs 5 momentos da OMS, o tempo de fricção com álcool e com água e sabonete, o que a RDC 42/2010 e a Portaria 2.616/1998 exigem e como auditar a adesão.
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