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Artigos · CCIH

Antibioticoprofilaxia cirúrgica: qual o tempo certo, quando repetir a dose e quando suspender?

Por Enf.ª Julliana Porto · 20 de ago. de 2026

Pelo protocolo de prevenção de ISC da Anvisa de 2025, a antibioticoprofilaxia cirúrgica é administrada até 60 minutos antes da incisão; vancomicina e fluoroquinolonas começam entre 60 e 120 minutos antes. Em cirurgias longas, repete-se a dose após duas meias-vidas do antimicrobiano, e a profilaxia é suspensa ao fechar a incisão, sem exceder 24 horas.

Resposta rápida

  • Antibiótico profilático só com indicação formal, escolhido pelos patógenos do tipo de cirurgia (protocolo de ISC da Anvisa, 2025).
  • Administrar até 60 minutos antes da incisão. Vancomicina e fluoroquinolonas: iniciar a infusão entre 60 e 120 minutos antes.
  • Em cirurgia longa, repetir a dose após duas meias-vidas do antimicrobiano, contadas do início da primeira infusão.
  • Suspender após o fechamento da incisão, na sala cirúrgica. Nunca exceder 24 horas. Dreno ou cateter não justifica manter.
  • O indicador do protocolo é o percentual de cirurgias com antibiótico até 60 minutos antes da incisão. A referência inicial é a conformidade em todas elas.

O que é antibioticoprofilaxia cirúrgica

Antibioticoprofilaxia cirúrgica é a administração de antimicrobiano antes da incisão para reduzir o risco de infecção de sítio cirúrgico (ISC). Não é tratamento. O alvo é ter concentração tecidual eficaz quando a pele é aberta. Por isso importam o horário em relação à incisão, a dose e a duração. A Portaria 2.616/1998, Anexo I, item 3.1.4, inclui o uso racional de antimicrobianos nas ações mínimas do programa. O item 3.7 manda a CCIH definir, com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, a política de antimicrobianos da instituição. O protocolo de profilaxia é parte dessa política. Termos como ISC e cirurgia limpa estão no glossário.

O que a norma exige

A Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 11/2025, de 21/11/2025, orienta a implementação de cinco protocolos mínimos. O de prevenção de ISC é um deles. Com a nota, Anvisa e Ebserh publicaram o Protocolo de prevenção de infecção de sítio cirúrgico, versão 1, 2025. É nele que estão as regras da profilaxia.

Na profilaxia antimicrobiana, o protocolo atribui à equipe cirúrgica quatro condutas. Administrar antimicrobiano profilático só com indicação formal, escolhido pela eficácia contra os principais patógenos do tipo de cirurgia. Seguir o protocolo institucional e consultar o serviço de controle de infecção em casos como colonização por MRSA. Garantir o horário: até 60 minutos antes da incisão para a maioria dos fármacos. Para vancomicina e fluoroquinolonas, iniciar a infusão 60 a 120 minutos antes. Descontinuar o antimicrobiano após o fechamento incisional, na sala cirúrgica.

No intraoperatório, o protocolo prevê o repique em procedimentos longos. No pós-operatório, fixa dois limites. O tempo total não deve exceder 24 horas. Não há indicação de manter a profilaxia até a retirada de drenos ou cateteres.

As diretrizes globais da OMS para prevenção de ISC, 2ª edição, de 2018, dizem o mesmo em três recomendações fortes. Administrar a profilaxia antes da incisão, quando indicada. Administrar dentro de 120 minutos antes da incisão, considerando a meia-vida do antibiótico. Não prolongar a profilaxia após o fim da operação. Uma recomendação condicional completa: não manter o antibiótico por causa de dreno.

A Portaria 2.616/1998, Anexo II, item 3, define a classificação das cirurgias pelo potencial de contaminação. Cirurgia limpa é a feita em tecido estéril, sem processo infeccioso, sem penetração dos tratos digestivo, respiratório ou urinário. A classificação é feita pelo cirurgião ao fim do ato. Ela define a taxa de ISC em cirurgias limpas, indicador de resultado do protocolo.

Prazos: horário, repique e suspensão

Momento Regra Fonte
Antes da incisão, maioria dos fármacos Administrar até 60 minutos antes Protocolo ISC Anvisa 2025
Vancomicina e fluoroquinolonas Iniciar a infusão entre 60 e 120 minutos antes Protocolo ISC Anvisa 2025
Janela máxima Dentro de 120 minutos antes da incisão, conforme a meia-vida OMS 2018, recomendação forte
Cirurgia longa Repetir a dose após duas meias-vidas, contadas do início da primeira infusão Protocolo ISC Anvisa 2025
Fechamento da incisão Descontinuar na sala cirúrgica Protocolo ISC Anvisa 2025
Limite absoluto Não exceder 24 horas após o procedimento Protocolo ISC Anvisa 2025
Dreno ou cateter Não justifica manter a profilaxia Protocolo ISC Anvisa 2025 e OMS 2018

Para cirurgia colorretal, o protocolo acrescenta a profilaxia oral associada ao preparo mecânico do cólon. A dose intravenosa continua até 60 minutos antes da incisão.

Como auditar: o indicador de conformidade

O Apêndice B do protocolo define o indicador de processo. Numerador: cirurgias com antibioticoprofilaxia administrada até 60 minutos antes da incisão. Denominador: cirurgias com indicação de profilaxia no período. A análise é mensal. A fonte é a documentação clínica: prescrição, horário de administração no prontuário ou na ficha anestésica e relação de cirurgias. A meta é definida pela instituição a partir da sua linha de base. O protocolo considera desejável a conformidade em todas as cirurgias com indicação.

Na prática, a auditoria compara dois horários no prontuário: o início da infusão do antibiótico e a incisão. Sem horário de incisão registrado, o caso não pode ser avaliado. Sem horário de administração, também não. Uma amostra mensal por especialidade mostra onde está a falha: prescrição, dispensação ou administração.

O protocolo acompanha o resultado com a taxa de ISC em cirurgias limpas e a taxa por tipo de procedimento. A Portaria 2.616/1998, Anexo III, item 5.10, ainda pede os indicadores de uso de antimicrobianos. São o percentual de pacientes com antimicrobiano, profilático ou terapêutico, e a frequência de cada fármaco. A vigilância das cirurgias monitoradas pela Anvisa, como a de prótese mamária por 90 dias, depende desse mesmo registro.

Erros mais comuns

  • Antibiótico prescrito "na indução" sem horário registrado. Sem horário, não há como provar os 60 minutos.
  • Vancomicina iniciada 30 minutos antes da incisão. A infusão precisa começar entre 60 e 120 minutos antes.
  • Cirurgia de cinco horas com uma só dose de antibiótico de meia-vida curta, sem repique.
  • Profilaxia mantida "até sair o dreno". O protocolo e a OMS são claros: não há indicação.
  • Antibiótico profilático prolongado por três dias. O limite é 24 horas, e o padrão é suspender ao fechar.
  • Protocolo institucional sem lista de cirurgias com indicação, deixando a decisão a cada cirurgião.

A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.

Como a SEVS resolve

A SEVS atende hospitais e clínicas em todo o Brasil. Seus profissionais compõem a CCIH e o NSP com colaboradores da unidade. O protocolo de ISC da Anvisa é adaptado à realidade cirúrgica do serviço. A auditoria mensal de prontuários mede o indicador de conformidade e a taxa de ISC. Os resultados ficam no SentinelSaúde, com busca ativa, indicadores e protocolos. Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável. Assim chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Conheça a assessoria da SEVS.

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Perguntas frequentes

Quando administrar o antibiótico profilático na cirurgia?

Até 60 minutos antes da incisão, pelo protocolo de ISC da Anvisa de 2025. Vancomicina e fluoroquinolonas começam entre 60 e 120 minutos antes. A OMS fixa a janela de 120 minutos antes da incisão, ajustada pela meia-vida do fármaco.

Precisa manter antibiótico depois da cirurgia?

Não. O protocolo manda descontinuar após o fechamento da incisão, ainda na sala cirúrgica. O tempo total não deve exceder 24 horas. Dreno ou cateter não é motivo para manter.

Quando repetir a dose durante a cirurgia?

Em procedimentos longos, após intervalo igual a duas meias-vidas do antimicrobiano, contado do início da infusão da primeira dose. O protocolo institucional define o intervalo de cada fármaco.

Qual antibiótico usar em cirurgia limpa?

O protocolo da Anvisa não nomeia fármacos. Ele manda escolher pela eficácia contra os principais patógenos do tipo de cirurgia, seguindo o protocolo institucional. A lista de cirurgias com indicação e os fármacos são definidos pela CCIH com a Comissão de Farmácia e Terapêutica.

Como auditar a antibioticoprofilaxia?

Compare, no prontuário ou na ficha anestésica, o horário da administração com o horário da incisão. Calcule o percentual de cirurgias com antibiótico até 60 minutos antes sobre o total com indicação. A análise é mensal; a referência inicial é a conformidade em todas as cirurgias.

Imagem: Dr.jayesh amin, Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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