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Artigos · CCIH

Infecção de corrente sanguínea por cateter central: quais são os bundles de inserção e manutenção?

Por Enf.ª Julliana Porto · 27 de jul. de 2026

A infecção de corrente sanguínea por cateter central é a IPCS laboratorialmente confirmada em paciente com cateter central há mais de dois dias, conforme a NT 03/2026 da Anvisa. O protocolo-modelo da Anvisa de 2025 organiza a prevenção em dois bundles, inserção e manutenção, e mede o resultado pela densidade de incidência por 1.000 cateteres centrais-dia.

Resposta rápida

  • A IPCSL associada a cateter central exige cateter há mais de dois dias consecutivos, a partir do D3 (NT 03/2026).
  • O bundle de inserção da Anvisa (2025) tem checklist, barreira máxima estéril, clorexidina alcoólica a 2%, ultrassom e kit completo.
  • O bundle de manutenção tem desinfecção do conector por 5 segundos, avaliação diária, troca de cobertura e retirada do cateter.
  • A densidade de incidência é o número de IPCSL dividido pelos cateteres centrais-dia, vezes 1.000.
  • Hospitais com UTI notificam densidade, taxa de utilização, microrganismos e adesão ao checklist até o 15º dia do mês seguinte.

O que é infecção de corrente sanguínea por cateter central

A NT 03/2026 define infecção primária de corrente sanguínea (IPCS) como microrganismo no sangue sem relação com outro foco. A forma vigiada nacionalmente é a laboratorialmente confirmada (IPCSL) associada a cateter central. Conta como associada quando o paciente usa o cateter há mais de dois dias consecutivos, com a inserção como D1. O paciente precisa ter o cateter na data da infecção ou tê-lo retirado no dia anterior. Cateter central é o dispositivo cuja ponta fica próxima ao coração ou em grande vaso. O protocolo-modelo da Anvisa cita que a IPCS afeta de 5% a 7% dos pacientes de UTI. De 65% a 70% dos casos seriam evitáveis com bundles.

O que a norma exige

A NT 03/2026 da Anvisa, na versão de 14 de julho de 2026, traz os critérios diagnósticos. O critério 1 exige microrganismo patogênico isolado em hemocultura, sem relação com outro foco. O critério 2 vale para contaminantes de pele, como estafilococo coagulase-negativo. Exige duas ou mais hemoculturas positivas, colhidas em momentos distintos, mais febre acima de 38 °C, calafrios ou hipotensão. A IPCS associada a cateter central está na lista de notificação nacional obrigatória.

A NT 01/2026 define o que o hospital com UTI notifica. São a densidade de IPCSL, a taxa de utilização de cateter central, cada microrganismo isolado, o perfil de resistência e a adesão ao checklist de inserção. A notificação é mensal, até o 15º dia do mês seguinte. A nota manda analisar a densidade junto com a adesão ao checklist de inserção e ao protocolo.

O protocolo-modelo de prevenção de IPCS, versão 1 de 2025, foi elaborado por Anvisa e Ebserh. A NT 11/2025, de 21 de novembro de 2025, orienta implantar protocolos de prevenção de IRAS em todas as unidades. Na avaliação nacional de 2023, a falta de protocolos esteve entre as não conformidades mais frequentes em hospitais com UTI.

A diretriz do CDC de 2011, atualizada em 2017, é a referência internacional. Antissepsia com clorexidina acima de 0,5% com álcool, retirada do cateter desnecessário e desinfecção do conector são categoria IA. Barreira máxima estéril e preferência pela subclávia em adultos são categoria IB. Evitar a veia femoral em adultos é categoria IA.

Critérios: os itens dos dois bundles

O protocolo-modelo define bundle como práticas baseadas em evidência que, feitas juntas e de forma confiável, melhoram o resultado. Os itens abaixo vêm do Quadro 4 e dos apêndices.

Bundle de inserção O que o protocolo pede
Higiene das mãos Preparação alcoólica antes e depois de inserir, manipular ou trocar cobertura
Checklist Aplicar o checklist de inserção, com observador que pode interromper o procedimento
Barreira máxima Gorro, máscara, avental estéril de manga longa, luvas estéreis, óculos e campo estéril da cabeça aos pés
Antissepsia Clorexidina alcoólica a 2%, por 30 segundos, com secagem espontânea
Sítio Preferir subclávia; evitar femoral em adultos, conforme CDC
Técnica Inserção guiada por ultrassom e kit com todos os insumos
Bundle de manutenção O que o protocolo pede
Conectores Desinfetar hub e conector por pelo menos 5 segundos antes de cada acesso
Avaliação diária Inspecionar e palpar o sítio sobre a cobertura pelo menos uma vez ao dia
Cobertura Transparente estéril trocada a cada 7 dias; gaze no máximo a cada 2 dias; trocar se úmida, solta ou suja
Cobertura com clorexidina Considerar a partir de 2 meses de idade
Equipos e conectores Infusão contínua e conectores não antes de 96 horas; intermitente até 24 horas; nutrição parenteral a cada bolsa
Retirada Remover cateter desnecessário; sem troca pré-programada por tempo; cateter de emergência trocado em até 48 horas

Como calcular a densidade de IPCSL

O Apêndice G do protocolo traz a ficha do indicador. O numerador é o número de casos novos de IPCSL associada a cateter central na unidade no período. O denominador é a soma dos pacientes com cateter central a cada dia do período, os cateteres centrais-dia. O resultado é multiplicado por 1.000.

Indicador Fórmula Fonte
Densidade de IPCSL IPCSL no período ÷ cateteres centrais-dia × 1.000 Protocolo Anvisa, Apêndice G
Taxa de utilização de CC Cateteres centrais-dia ÷ pacientes-dia × 100 Apêndice H
Adesão ao checklist de inserção Checklists aplicados ÷ inserções × 100 Apêndice I
Conformidade a todos os itens Checklists com todos os itens conformes ÷ checklists aplicados × 100 Apêndice J

Não há meta nacional fixada. O protocolo manda a instituição definir a meta pela série histórica, com melhoria progressiva. A referência desejável é zero por mil. Valores muito baixos podem indicar subregistro. O relatório é mensal, por unidade, para equipes e direção.

Erros mais comuns

Checklist preenchido depois

O checklist é aplicado durante a inserção, por quem observa o procedimento. Preencher de memória não é adesão.

Barreira incompleta

Campo pequeno ou avental não estéril quebra a barreira máxima. O observador deve interromper, como pede o protocolo.

Conector sem desinfecção

O acesso ao hub sem os 5 segundos de fricção é a porta intraluminal da IPCS.

Cateter esquecido

Sem avaliação diária da necessidade, o cateter fica além do uso. A retirada do desnecessário é categoria IA no CDC.

Denominador improvisado

Cateter central-dia contado de memória no fim do mês distorce a densidade.

Como a SEVS resolve

Clínicas e hospitais atendidos pela assessoria da SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável. Os profissionais especializados da SEVS compõem a CCIH com colaboradores da unidade. Eles adaptam o protocolo-modelo da Anvisa e treinam os bundles na UTI. No SentinelSaúde, a busca ativa registra cada cateter central por dia. Os checklists de inserção e manutenção ficam no sistema. A densidade por 1.000 cateteres-dia sai pronta para a notificação mensal.

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Perguntas frequentes

O que é infecção primária de corrente sanguínea?

É a presença de microrganismo no sangue sem outro foco de infecção, segundo a NT 03/2026. Associada a cateter central quando o paciente usa o cateter há mais de dois dias, a partir do D3.

Quais são os itens do bundle de inserção de cateter central?

Higiene das mãos, checklist com observador, barreira máxima estéril, clorexidina alcoólica a 2%, subclávia, ultrassom e kit completo. É o Quadro 4 do protocolo-modelo da Anvisa de 2025.

Quais são os cuidados de manutenção do cateter?

Desinfetar o conector por 5 segundos antes de acessar e avaliar o sítio todo dia. Trocar cobertura transparente a cada 7 dias e gaze a cada 2 dias. Retirar o cateter quando deixar de ser necessário.

Como calcular a densidade de IPCS?

Número de IPCSL associadas a cateter central no mês, dividido pelos cateteres centrais-dia do mês, multiplicado por 1.000. A fórmula está no Apêndice G do protocolo da Anvisa.

IPCS é de notificação obrigatória?

Sim. A NT 03/2026 lista a IPCS associada a cateter central entre as IRAS de notificação nacional obrigatória. Hospitais com UTI notificam até o 15º dia do mês seguinte (NT 01/2026).

Imagem: Ismael Olea, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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