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Artigos · Segurança do paciente

Checklist de cirurgia segura: como aplicar os 3 momentos e medir a adesão?

Por Enf.ª Julliana Porto · 18 de jun. de 2026

O checklist de cirurgia segura é a Lista de Verificação da OMS, adotada no Brasil pela Portaria 1.377/2013, aplicada em três momentos. Antes da indução anestésica, antes da incisão e antes de o paciente sair da sala, um único condutor confere os itens em voz alta com a equipe.

Resposta rápida

  • A Portaria 1.377/2013, de 9 de julho de 2013, aprovou o Protocolo para Cirurgia Segura. Ele vale para todas as unidades de saúde do Brasil.
  • A lista tem 3 momentos: antes da indução anestésica, antes da incisão cirúrgica e antes de o paciente sair da sala.
  • Uma única pessoa conduz a checagem. Item não conforme interrompe a verificação e o paciente fica na sala até a solução.
  • A profilaxia antimicrobiana é conferida na pausa cirúrgica: administrada nos 60 minutos antes da incisão.
  • O roteiro de inspeção de centro cirúrgico pontua o checklist preenchido nos 3 momentos e o indicador monitorado.

O que é checklist de cirurgia segura

O checklist de cirurgia segura é a Lista de Verificação de Cirurgia Segura da OMS. O protocolo brasileiro define lista de verificação como "lista formal utilizada para identificar, comparar e verificar um grupo de itens/procedimentos". A lista da OMS tem 19 itens e, segundo a organização, leva menos de 2 minutos. A OMS afirma que ela reduz complicações e mortalidade em mais de 30%. O protocolo brasileiro cita o estudo em oito países: complicações de 11% para 7%; mortalidade de 1,5% para 0,8%.

O que a norma exige

A Portaria 1.377/2013, art. 1º, aprova os Protocolos Básicos de Segurança do Paciente. O parágrafo único cita os protocolos de Cirurgia Segura, Higiene das Mãos e Úlcera por Pressão. Eles devem ser usados em todas as unidades de saúde do Brasil. O Protocolo para Cirurgia Segura, do Ministério da Saúde, Anvisa e Fiocruz, é o Anexo 03 da portaria.

O protocolo vale para todo local com procedimento terapêutico ou diagnóstico que envolva incisão no corpo ou introdução de endoscópio. Dentro ou fora do centro cirúrgico, por qualquer profissional de saúde. O cartaz da Anvisa sobre práticas seguras acrescenta: o checklist preenchido deve ser anexado ao prontuário.

A RDC 36/2013, art. 7º, inciso VI, dá ao NSP a competência de implantar os Protocolos de Segurança do Paciente e monitorar seus indicadores. O art. 8º, inciso III, exige que o Plano de Segurança do Paciente contemple os protocolos do Ministério da Saúde. O inciso VI lista a segurança cirúrgica. Pelo art. 10, eventos adversos são notificados até o 15º dia útil do mês seguinte; com óbito, em até 72 horas.

Passo a passo: os 3 momentos e quem conduz

O protocolo define o condutor como profissional de saúde, "médico ou profissional da enfermagem", que participa da cirurgia. Ele conduz a lista conforme diretriz da instituição. Em cada fase, o condutor confirma que a equipe concluiu suas tarefas antes de seguir. O cartaz da Anvisa atribui a aplicação à equipe cirúrgica: cirurgião, anestesista e equipe de enfermagem.

  1. Antes da indução anestésica (sign in). Confirmar com o próprio paciente identificação, procedimento, sítio cirúrgico e consentimento para cirurgia e anestesia. Conferir visualmente a demarcação do sítio. Confirmar monitor multiparamétrico conectado e funcionando. Revisar com o anestesiologista alergias, via aérea difícil, risco de perda sanguínea e a verificação de segurança anestésica.
  2. Antes da incisão cirúrgica (time out ou pausa cirúrgica). Cada membro da equipe se apresenta por nome e função. A equipe confirma em voz alta paciente, sítio e procedimento corretos. Cirurgião, anestesiologista e equipe de enfermagem revisam os eventos críticos previstos. Confirmar antimicrobiano profilático nos últimos 60 minutos e exames de imagem disponíveis.
  3. Antes de o paciente sair da sala (sign out). O condutor confirma com o cirurgião o procedimento realizado. A equipe confirma a contagem de instrumentais, compressas e agulhas e a identificação da amostra, em voz alta. Registra problemas com equipamentos e revisa o plano de recuperação pós-operatória.

A demarcação do sítio é obrigatória quando há lateralidade, múltiplas estruturas ou múltiplos níveis. O protocolo veta marcas ambíguas como "x" e sugere o sinal de alvo.

Como calcular: o indicador de adesão e o item do roteiro de inspeção

O protocolo lista seis indicadores de monitoramento:

Indicador do protocolo O que mede
Percentual de pacientes com antibioticoprofilaxia no momento adequado Dose nos 60 minutos antes da incisão
Número de cirurgias em local errado Evento que nunca deveria ocorrer
Número de cirurgias em paciente errado Idem
Número de procedimentos errados Idem
Taxa de mortalidade cirúrgica intra-hospitalar ajustada ao risco Resultado
Taxa de adesão à Lista de Verificação Processo

O protocolo nomeia a taxa de adesão, mas não fixa a fórmula. Na prática, conta-se como aderente apenas a cirurgia com a lista preenchida nos três momentos. O cálculo é: cirurgias com lista completa dividido pelo total de cirurgias realizadas, vezes 100. Um momento em branco não é adesão.

O Roteiro Objetivo de Inspeção de Centro Cirúrgico da Anvisa, versão 1.3, traz o item 20. É classificado como não conformidade (NC). A pontuação vai de 0 a 5. No nível 0, o protocolo não está implantado. Nos intermediários, o protocolo está desatualizado, falta um dos três momentos ou não há registro de capacitação. No nível 4, o checklist está completo em todas as cirurgias eletivas e consta no prontuário. O indicador "Adesão ao checklist de cirurgia segura" é monitorado, com devolução à equipe. No nível 5, o serviço participa anualmente da avaliação das práticas de segurança do paciente. Investiga os eventos e orienta pacientes e familiares. O marco regulatório citado é o art. 1º e o Anexo III da Portaria 1.377/2013, o art. 8º da RDC 63/2011 e os arts. 8º, 9º e 10 da RDC 36/2013.

Erros mais comuns

  • Lista preenchida de uma vez só, depois da cirurgia, na recuperação anestésica. A conferência em voz alta não aconteceu.
  • Condutor indefinido: cada um assina a sua parte e ninguém interrompe quando um item falha.
  • Sign out sem a contagem de compressas e agulhas confirmada em voz alta.
  • Demarcação de lateralidade feita com "x" ou feita na sala, depois de o paciente ser sedado.
  • Indicador de adesão sem devolução à equipe. O número existe na planilha, mas ninguém o viu.

O ponto comum é o improviso: lista solta, planilha em computador pessoal, capacitação sem registro. A obrigação é certa. O dia da fiscalização, não.

Como a SEVS resolve

Os profissionais da SEVS compõem o NSP com colaboradores da unidade. Eles implantam o Protocolo para Cirurgia Segura adaptado ao serviço, com condutor definido e capacitação registrada. No SentinelSaúde, cada cirurgia tem a lista dos três momentos e o indicador de adesão sai por mês. Os eventos cirúrgicos entram na fila de notificação com os prazos da RDC 36/2013. A documentação fica pronta para o item 20 do roteiro. Conheça a assessoria da SEVS para hospitais e clínicas de todo o Brasil.

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Perguntas frequentes

O que é o checklist de cirurgia segura?

É a Lista de Verificação de Cirurgia Segura da OMS, com 19 itens. No Brasil, foi adotada pelo Protocolo para Cirurgia Segura da Portaria 1.377/2013. Confere em voz alta identificação, sítio, anestesia, antibiótico, contagem e amostras.

Quais são os 3 momentos da lista de verificação?

Antes da indução anestésica (sign in). Antes da incisão cirúrgica (pausa cirúrgica ou time out). Antes de o paciente sair da sala de cirurgia (sign out).

Quem aplica o checklist na sala cirúrgica?

Um único condutor, que participa da cirurgia e é definido pela instituição. O protocolo admite médico ou profissional de enfermagem nesse papel. A aplicação envolve toda a equipe cirúrgica: cirurgião, anestesista e equipe de enfermagem.

Como medir a adesão ao checklist?

Pelo indicador "Taxa de adesão à Lista de Verificação", previsto no protocolo. Conta-se como aderente a cirurgia com a lista completa nos três momentos, anexada ao prontuário. O roteiro de inspeção exige o indicador monitorado e com devolução dos resultados à equipe.

O checklist é obrigatório em hospital-dia?

Sim. O protocolo se aplica a todo local com procedimentos de incisão ou introdução de endoscópio. Vale dentro ou fora do centro cirúrgico. A RDC 36/2013 só exclui consultórios individualizados, laboratórios clínicos, serviços móveis e atenção domiciliar.

Imagem: Pfree2014, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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