Higiene das mãos: quais são os 5 momentos da OMS e como medir a adesão?
Os 5 momentos da OMS, o tempo de fricção com álcool e com água e sabonete, o que a RDC 42/2010 e a Portaria 2.616/1998 exigem e como auditar a adesão.
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Diante de bactéria multirresistente ou Candida auris, a CCIH precisa ser avisada imediatamente, instituir precaução de contato, ajustar a limpeza e notificar. Para Candida auris, o Alerta 01/2026 da Anvisa manda notificar o surto e enviar todo isolado ao Lacen imediatamente.
O PNPCIRAS 2026-2030 define resistência aos antimicrobianos como a capacidade de um microrganismo resistir à ação de um agente antimicrobiano. Na rotina hospitalar, o termo cobre a Klebsiella pneumoniae resistente aos carbapenêmicos, chamada de KPC. Inclui o Acinetobacter com a mesma resistência. Cobre também o Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA). A OMS associa a resistência bacteriana a mais de 4,7 milhões de mortes no mundo em 2021. Candida auris é um fungo emergente, listado como prioridade crítica pela OMS. Segundo o Alerta 01/2026, até 90% dos isolados são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. Ele sobrevive semanas ou meses no ambiente e resiste a desinfetantes à base de quaternário de amônio.
A NT 02/2022 da Anvisa, revisada em 12/12/2024, é a orientação vigente para Candida auris. Ela determina que as comissões de controle de infecção de todos os hospitais façam vigilância ativa de casos suspeitos. Diante de um caso, a comissão deve isolar o paciente imediatamente, com precaução de contato somada à precaução padrão. Deve notificar o caso no formulário nacional de surtos infecciosos. Deve informar a coordenação estadual de controle de infecção (CECIRAS) e encaminhar o isolado ao Lacen.
O Alerta 01/2026 repete e reforça essas regras. O laboratório de microbiologia informa a CCIH imediatamente diante de qualquer suspeita. O serviço mantém POPs atualizados para surto por Candida auris, em especial o de limpeza e desinfecção de superfícies. A notificação de surto não depende do laboratório: mesmo com MALDI-TOF ou sequenciamento, o hospital notifica e envia todos os isolados ao Lacen.
Para as bactérias multirresistentes, a NT 02/2026 obriga hospitais com UTI a notificar mensalmente IRAS e resistência. O prazo é o 15º dia após o mês de vigilância. A mesma nota lembra a RDC 36/2013: a vigilância das IRAS e da resistência é dever de todos os serviços de saúde do país. Quem não envia o formulário nacional apresenta os dados à autoridade sanitária quando solicitado.
O objetivo específico 4 do PNPCIRAS 2026-2030 é prevenir e controlar a disseminação de multirresistentes prioritários e patógenos emergentes. Ele traz três metas para a infecção primária de corrente sanguínea laboratorial associada a cateter central (IPCSL), até 2030.
| Meta | Microrganismo | UTI adulto | UTI pediátrica | UTI neonatal |
|---|---|---|---|---|
| 13 | Klebsiella pneumoniae resistente aos carbapenêmicos | ≤ 25% | ≤ 24% | ≤ 15% |
| 14 | Acinetobacter spp. resistente aos carbapenêmicos | ≤ 29% | ≤ 15% | ≤ 15% |
| 15 | Staphylococcus aureus resistente à oxacilina | ≤ 40% | ≤ 30% | ≤ 30% |
A meta 7 do programa pede, até 2030, 90% dos hospitais com UTI adulto avaliados com seis protocolos implantados. Um deles é o protocolo de precaução e isolamento. Sem ele, o hospital não responde com rapidez a uma KPC ou a um caso de Candida auris.
Profissionais especializados da SEVS compõem a CCIH e o NSP com colaboradores da unidade, em todo o Brasil. O fluxo do laboratório até a notificação fica escrito, com responsáveis e prazos. O protocolo de precaução e isolamento é implantado e conferido em rondas. No SentinelSaúde, a busca ativa registra cada caso e os indicadores saem prontos para o formulário mensal. As notificações de surto ficam documentadas. O serviço chega à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Conheça a assessoria da SEVS.
É um fungo emergente, listado como prioridade crítica pela OMS. Segundo o Alerta 01/2026, até 90% dos isolados resistem a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. Ele forma biofilme e sobrevive semanas ou meses no ambiente. No Brasil, 89% dos casos foram colonização e 11% infecção.
O laboratório avisa a CCIH e o paciente entra em precaução de contato. Hospitais com UTI notificam a resistência à Anvisa até o 15º dia do mês seguinte, conforme a NT 02/2026. Vários casos no mesmo setor configuram suspeita de surto, notificada no formulário nacional.
A NT 02/2022 orienta quarto individual sempre que possível para pacientes em precaução de contato. Sem quarto, pacientes com o mesmo microrganismo ficam em coorte, com pelo menos 1 metro entre leitos e equipe fixa.
A NT 02/2022 indica peróxido de hidrogênio, hipoclorito de sódio ou produto com eficácia comprovada junto à Anvisa. Produtos à base só de quaternário de amônio não funcionam. Siga a diluição e o tempo de contato do rótulo.
Sim, de duas formas. Hospitais com UTI e serviços de diálise notificam mensalmente IRAS e resistência, pela NT 02/2026. Qualquer serviço notifica suspeita de surto no formulário nacional da Anvisa. Para Candida auris, cada caso suspeito ou confirmado é notificado assim que ocorre.
Quem escreveu
Enf.ª Julliana Porto
Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.
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