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Infecção de prótese de joelho e quadril: por que a vigilância dura 90 dias e o que notificar à Anvisa?

Por Enf.ª Julliana Porto · 21 de set. de 2026

A infecção de prótese de joelho e quadril é vigiada por 90 dias porque a NT 03/2026 da Anvisa fixa esse período para artroplastia primária, e a notificação mensal é obrigatória pela NT 02/2026 para hospitais com centro cirúrgico que fazem a cirurgia. O caso que aparece depois do envio do mês entra no formulário por renotificação, com o mesmo denominador.

Resposta rápida

  • Artroplastia total primária de joelho e de quadril está na lista nacional de notificação obrigatória (NT 01 e 02/2026).
  • O período de vigilância é de 90 dias, com o dia 1 na data da cirurgia (NT 03/2026).
  • A notificação é mensal, até o 15º dia após o mês de vigilância, no formulário de Centro Cirúrgico.
  • O numerador é o número de ISC relacionadas à artroplastia. O denominador é o número de artroplastias primárias do mês.
  • A ISC de órgão/cavidade nessas cirurgias é infecção articular periprotética ou osteomielite (Quadro 36 da NT 03/2026).

O que é infecção de prótese de joelho e quadril

A infecção de prótese de joelho e quadril é uma infecção de sítio cirúrgico (ISC) após artroplastia. A NT 03/2026 classifica a ISC em três planos: incisional superficial, incisional profunda e órgão/cavidade. Nas artroplastias primárias, a ISC de órgão/cavidade pode ser infecção articular periprotética ou osteomielite. O implante permanece no paciente, e a infecção pode surgir semanas após a alta. Por isso a NT 03/2026 define a vigilância pós-alta como busca ativa de ISC em quem já saiu do serviço. Ela dura todo o período de vigilância.

O que a norma exige

A NT 01/2026, de 2 de janeiro de 2026, orienta a vigilância das IRAS. Ela lista as cirurgias de notificação nacional. Entre elas, a artroplastia total primária de joelho ou de quadril. A nota diz que essas cirurgias "devem ser vigiadas por 90 dias". O indicador é o número de ISC dividido pelo número de artroplastias primárias do período.

A NT 02/2026, da mesma data, orienta a notificação dos indicadores nacionais. O escopo inclui "hospitais com Centro Cirúrgico que realiza" artroplastia total primária de joelho ou de quadril. A notificação é feita pela CCIH, CCIRAS ou SCIRAS, mensalmente, até o 15º dia após o mês de vigilância. O meio são as ferramentas eletrônicas da Anvisa.

A NT 03/2026 traz os critérios diagnósticos. O período de vigilância é de 90 dias para prótese de quadril primária e de joelho primária. O dia 1 é a data da cirurgia. O Quadro 36 lista as infecções de sítio específico que contam como ISC de órgão/cavidade nessas cirurgias. O Quadro 40 define a infecção articular periprotética. A diretriz do CDC de 2017 é a referência internacional de prevenção de ISC.

Critérios: como classificar o caso

Para fechar ISC de órgão/cavidade em artroplastia, o paciente precisa atender a dois critérios. Um geral de órgão/cavidade e um de sítio específico. A tabela resume o que a NT 03/2026 pede.

Etapa O que precisa estar presente
Critério geral de órgão/cavidade (um deles) Drenagem purulenta por dreno no órgão/espaço; microrganismo em secreção ou tecido do órgão/cavidade; abscesso ou evidência de infecção profunda em reoperação, exame clínico, anatomopatológico ou imagem; diagnóstico pelo cirurgião
Infecção articular periprotética, Quadro 40 (um deles) Duas amostras positivas de tecido ou líquido periprotético para o mesmo microrganismo; fístula comunicando com a articulação; ou três critérios menores
Critérios menores do Quadro 40 PCR acima de 100 mg/L e VHS acima de 30 mm/h; leucócitos sinoviais acima de 10.000/μL; PMN acima de 90%; histologia positiva; microrganismo em amostra única; secreção purulenta
Prazo Até 90 dias após a inserção da prótese, com D1 na data do procedimento, classifica-se como ISC de órgão/cavidade

A NT 03/2026 também trata da reabordagem. Se o paciente volta ao centro cirúrgico para nova abordagem no mesmo sítio, os 90 dias reiniciam. Essa reabordagem não entra no denominador. Se houver ISC, a data da infecção é a do procedimento inicial. Culturas de swab não contam.

Prazos: o calendário de 90 dias e a renotificação

A vigilância cobre 90 dias, e a notificação do mês fecha antes. As NT 01 e 02/2026 conciliam os dois prazos com a opção "retomar mais tarde" do formulário.

Momento O que fazer
Dia da cirurgia (D1) Registrar a artroplastia no mapa cirúrgico: entra no denominador do mês
Até o 15º dia do mês seguinte Notificar numerador e denominador do mês. Salvar o formulário com o nome do mês e usar "retomar mais tarde"
Durante os 90 dias Manter a busca ativa pós-alta. Caso novo: carregar o formulário salvo, atualizar o numerador e salvar. O denominador não muda
Fim dos 90 dias Enviar o formulário definitivamente

A NT 02/2026 mostra o que acontece quando o serviço clica em "enviar" cedo demais. No exemplo da nota, um hospital fez 50 próteses de quadril em março e notificou 3 ISC em abril. Em maio, um paciente operado em 25 de março fechou critério de ISC de órgão/cavidade. Como o formulário já tinha sido enviado, o serviço preencheu um novo, com 4 ISC. A Anvisa exclui a notificação mais antiga e considera a mais recente. O caso não se perde, mas o retrabalho é evitável.

Para encontrar o caso tardio, a busca ativa precisa de contatos programados. O roteiro da SEVS para prótese mamária, com contatos em D+7, D+15, D+30, D+60 e D+90, cobre a mesma janela. Veja infecção de prótese mamária: busca ativa por 90 dias. A NT 02/2026 é clara: se o serviço não fez vigilância pós-alta naquele mês, não deve marcar "sim" no formulário.

Erros mais comuns

Encerrar a vigilância na alta

A ISC periprotética costuma aparecer com o paciente em casa. Sem contato pós-alta, o numerador fica menor que o real.

Enviar o formulário antes dos 90 dias

O caso tardio exige novo formulário e gera duplicidade. A orientação é "retomar mais tarde".

Contar a reabordagem como nova cirurgia

Ela reinicia os 90 dias, mas não entra no denominador.

Classificar por impressão

Infecção periprotética exige o Quadro 40. Cultura de swab não vale.

Marcar vigilância pós-alta sem ter feito

A NT 02/2026 veda. O registro precisa mostrar quem contatou, quando e a resposta.

Como a SEVS resolve

Clínicas e hospitais atendidos pela SEVS operam a CCIH e o NSP conforme a norma, com registro auditável, e chegam à inspeção da Vigilância com a documentação pronta. Na assessoria da SEVS, profissionais especializados compõem a CCIH com colaboradores da unidade e classificam cada caso pela NT 03/2026. No SentinelSaúde, cada artroplastia entra na fila de busca ativa no dia da cirurgia. Os contatos pós-alta vão até D+90 e cada resposta fica no histórico. O numerador do mês é atualizado quando um caso tardio aparece. A SEVS também faz inspeção simulada sem custo.

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Perguntas frequentes

Artroplastia é de notificação obrigatória à Anvisa?

Sim. A artroplastia total primária de joelho ou de quadril está no escopo da NT 02/2026 para hospitais com centro cirúrgico. A notificação é mensal, até o 15º dia após o mês de vigilância.

Quanto tempo vigiar após prótese de joelho ou quadril?

90 dias, com o dia 1 na data da cirurgia, conforme a NT 03/2026. A vigilância inclui a internação e a busca ativa pós-alta.

O que é infecção periprotética?

É a infecção articular ao redor da prótese. O Quadro 40 da NT 03/2026 exige duas amostras positivas para o mesmo microrganismo, fístula articular ou três critérios menores. Até 90 dias após a cirurgia, é ISC de órgão/cavidade.

Como notificar um caso que apareceu depois do mês?

Se o formulário do mês foi salvo com "retomar mais tarde", basta carregá-lo, atualizar o numerador e salvar. O denominador não muda. Se já foi enviado, é preciso preencher um novo formulário. A Anvisa considera o mais recente.

Clínica ortopédica com centro cirúrgico precisa notificar?

A NT 02/2026 se destina a todos os serviços de saúde do país. Ela cita hospitais com centro cirúrgico que realizam artroplastia. Se a clínica realiza a cirurgia, a vigilância de 90 dias e os critérios da NT 03/2026 se aplicam. Coordenações estaduais e municipais podem exigir mais indicadores.

Imagem: Booyabazooka, Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Julliana Porto

Quem escreveu

Enf.ª Julliana Porto

Especialista em Gestão de Saúde, Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Paciente. Na área desde 2010, conduz tecnicamente o trabalho da SEVS em hospitais e clínicas.

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